Apesar de milenar, o taiko (tambor japonês) como é conhecido e apresentado hoje, é um fenômeno recente. Surgiu no pós-guerra no Japão e foi sendo aos poucos difundido pelo mundo. Em Londrina, pode ser considerado novíssimo, já que o grupo Ishindaiko tem apenas três anos. E mesmo assim conquistou prêmios de gente grande, como o bicampeonato brasileiro de taiko.
O último campeonato aliás, garantiu ao grupo uma viagem para o Japão e a participação no conceituado festival de Kyoto. Quinze integrantes do grupo, na faixa de 17 anos, embarcam com seus tambores na bagagem em março do ano que vem. Criado por um baterista japonês acostumado ao ritmo do jazz, o taiko apresentado pelo mundo afora tem batidas tradicionais e por enquanto não aceita tantas modificações, segundo Lucas Muragushi, 16 anos, um dos compositores do Ishindaiko.
Como inspiração, Lucas está sempre antenado com o que acontece no Japão. E foi com um legítimo professr japonês que Lucas, um dos pioneiros do grupo, aprendeu a arte do taiko. Yukihisa Oda passou alguns meses no País ensinando os brasileiros a serviço da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jaica). Em Londrina, Oda-san se decepcionou a princípio. Durante os primeiros meses só teve três alunos. ''Para as apresentações precisamos nos unir com o grupo de Rolândia'', lembra Silvio Muragushi, coordenador do Ishindaiko.
Depois de uma doação de tambores, o grupo aumentou bastante e chegou a ter 50 integrantes. Hoje a média é de 25 participantes entre 13 e 21 anos. A força jovem é matéria-prima essencial para as apresentações de taiko, principalmente porque é preciso muito vigor para as batidas ritmadas.
''E ainda temos a energia brasileira'', explica Isabela Muragushi, que se prepara para viajar com o grupo para o Japão no ano que vem. ''O taiko ainda tem um espírito conservador, não dá nem para pensar em misturar samba'', explica o compositor Lucas.
Este ano, no campeonato brasileiro, o grupo londrinense faturou não só o primeiro prêmio na categoria júnior, como também ficou em segundo lugar na categoria livre. O sensei (professor) Oda ficaria orgulhoso.
História - No Japão feudal, o taiko era usado pelos exércitos tanto para dar avisos quanto para dar ritmo à marcha dos soldados.

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