Desde o surgimento do computador ninguém discorda de sua capacidade de facilitar a nossa vida de várias maneiras, seja armazenando dados, facilitando atendimentos, auxiliando o trabalho nas empresas ou proporcionando o acesso à informação através da internet. O encantamento com a incrível máquina foi tão grande que ela é encontrada em praticamente todos os estabelecimentos comerciais e chegou até a ser vista como uma possível solução para os problemas da educação, devido ao enorme fascínio do computador sobre crianças e adolescentes.
Mas depois de alguns anos de experiência no uso da informática nas salas de aula, a realidade está longe do que imaginavam os entusiastas. Segundo o presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná (Sinepe), Alderi Luiz Ferraresi, apesar de o computador estar presente e disponível aos alunos em todas as escolas privadas, seu uso não é como se imagina. ''Aquela coisa de que o computador estaria dentro das salas de aula, quase substituindo o professor, não existe. Ele é uma ferramenta para auxiliar no aprendizado, mas não faz nenhum milagre'', comenta.
Resolvendo problemas No ensino fundamental, o equipamento é bastante usado para desenvolver nas crianças a capacidade de resolver problemas propostos pelos professores. Um dos softwares mais conhecidos é o Megalogo, que permite que os alunos desenvolvam programas para ilustrar situações ou solucionar problemas da vida real (veja mais no box). ''Principalmente para os pequenos, ele é muito importante. Auxilia na alfabetização, na matemática, em ciência. As crianças têm uma intimidade muito grande com a máquina e isso ajuda o professor, que pode ensinar usando um equipamento que agrada o aluno, incentivando-o a aprender'', diz.
A partir da 5 série, em muitas escolas os estudantes passam a receber instruções de como trabalhar com os utilitários (Word, Excel, Power Point...), que serão utilizados para a realização de trabalhos. ''Mas como a maioria de nossos alunos tem computador em casa, eles já sabem fazer isso. Por isso, o ideal é que o professor de informática trabalhe junto com professores de outras áreas para que as aulas tenham um enfoque diferenciado'', oberva Ferraresi.
Em uma escola de Londrina, a idéia foi unir a internet à pesquisa. ''Nossos alunos de 6 série estão trabalhando com temas diferentes e montando sites sobre eles. Já fizemos um sobre pedras preciosas e outro sobre o Egito. Eles pesquisam e montam a estrutura do site'', conta o professor de informática, matemática e ciências, Luciano Rudnik.
Aula cara O problema da informática é seu custo. Segundo o presidente do Sinepe, que também é diretor de escola, o investimento nas máquinas deve ser contínuo. ''Por isso, na maioria das escolas existe um computador para cada dois alunos da turma. Como eles evoluem rapidamente e precisam de manutenção constante, estamos sempre trocando alguma coisa. E têm também os casos de alunos que estragam e até roubam equipamentos. Além do professor de informática, que deve estar sempre presente nas aulas'', afirma. Talvez esse seja o motivo para justificar a falta deles nas escolas da rede pública de ensino (leia matéria nas páginas 2 e 3).
Para Ferraresi, isso acaba prejudicando esses alunos. ''Nas escolas particulares, aulas de informática no currículo são uma coisa normal, já deixaram de ser diferencial. Porque entendemos que o aluno que não tem esse tipo de instrução acaba perdendo, seja por aprender a lidar com o computador, seja pela ajuda que ele presta à educação'', diz.
Mas é preciso ter sempre um certo cuidado com relação à permanência das crianças na frente da tela e o uso que se faz da máquina. ''A internet é fabulosa, mas também oferece riscos, como sites impróprios para crianças. Por isso deve sempre ter sempre um responsável nas salas de aulas'', recomenda. E para aqueles que ainda acreditam que o computador possa representar uma ameaça aos professores, o diretor dá sua opinião. ''Acredito que no futuro poderemos ter uma biblioteca virtual para facilitar o acesso aos livros. Mas a educação não é só a informação. A presença física e a experiência dos professores é fundamental para a formação do aluno'', argumenta ele.

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