Diferentes inspirações, caminhos diversos e um só destino: a elegância. Nos desfiles masculinos para o outono-inverno 2002, apresentados no final de janeiro durante a São Paulo Fashion Week, a sobriedade dos básicos deu o tom. Até mesmo o ousado Alexandre Herchcovitch estava mais contido. O resultado foi uma coleção menos conceitual e muito mais usável.
Marcadas por listras verdes fosforescentes, as calças retas e jaquetas quadradas de Herchcovitch surgiram ao lado de macacões trompe l’oeil (dando a impressão de que se trata de camisa por dentro da calça), paletós curtos e lenços no pescoço. Algumas camisas listradinhas desciam até os joelhos e camisetas longas tipo segunda-pele vieram na padronagem tye-dye. O vinho, o preto e o branco foram os tons escolhidos. Vestidos tipo avental deram o toque de ousadia à coleção.
Fause Haten também foi mais pé no chão. Com exceção dos uniformes militares em cetim – de gosto duvidoso – a coleção trouxe peças clássicas do vestuário masculino com toques de modernidade, assunto sobre o qual o estilista é expert. Destaque para as peças em corduroy perfurado, os tricôs de losangos, as jaquetas sequinhas e as ótimas bolsas desenvolvidas pela Saad. Ainda que para poucos gostos, o terno com quadrados silkados proporciona um visual interessante.
A idéia de um viajante que percorre todos os cantos da terra e traz nas roupas as marcas do tempo foi a referência para o inverno de Mário Queiróz. Para isso, o estilista inventou efeitos desgastados e corroídos para o couro e o jeans. Jaquetas e blusas de moletom são coordenadas com calças de alfaiataria e as camisas ganham aspecto amassado. As marcas da viagem surgem ainda nas manchas da jaquetinha ‘‘Princípe de Gales’’ e nas camisetas com trechos literários e marcas de solas de sapato.
A estrada também inspira a Ellus, que imaginou seu homem perambulando pelas lavanderias de Portobello Road, na Inglaterra, vestindo estilos variados e descolados. Das clássicas jardineiras de mecânicos às peças com referência militar, passando pela estética glam rock – com brilho sutil nas t-shirts e na calça marrom, a grife apresenta uma coleção sob medida para garotos que desejam conforto e uma pitada de estilo no visual.
A alfaiataria sempre foi o grande trunfo de Ricardo Almeida, que faz roupa para homens bem-sucedidos e exigentes em termos de qualidade e design. Neste inverno, a força da sua tesoura ganha ainda mais evidência. Os tons escuros – preto, marinho e marrom – dominam a coleção, impecavelmente chique. A boa nova é o lançamento da linha ‘‘Ra Sport’’, com peças mais descontraídas, como o blazer desestruturado e a jaqueta perfecto em couro natural com elastano. Destaque para a camisa com recortes inusitados e para o casaco estilo militar repleto de zíperes. Os sapatos ganham bico fino.

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