Aproximadamente 25% da população brasileira é obesa. O número, considerado alto, é também composto por pessoas que, ao tratar de alguns quadros psiquiátricos, acabam ganhando um segundo problema: a obesidade. O uso de determinados medicamentos psiquiátricos, que provocam o aumento do peso, e a falta de atenção a esse aspecto contribuem para agravar o quadro.
Com o objetivo de conscientizar profissionais da área da saúde (em especial da psiquiatria) foi lançado em São Paulo o projeto ''Perdendo Peso com Equilíbrio no Consultório do Psiquiatra'', um trabalho de educação continuada e orientação a esses profissionais, tentando desmistificar a questão da obesidade e seus impactos psicológicos. ''Muitos ainda acham que a pessoa é obesa por fraqueza de caráter. Nossa intenção é sensibilizar os psiquiatras que tratam de pessoas obesas'', explica Adriano Segal, coordenador do Ambulatório de Obesidade do Instituto de Psiquiatra do Hospital das Clínicas.
Segal, em companhia do também psiquiatra Táki Athanássios Cordás, já viajou pelo Rio de Janeiro e Goiânia, realizando palestras no projeto. ''Os próximos locais serão Fortaleza, Curitiba, Belo Horizonte e Porto Alegre. Ao todo serão 12 cidades recebendo o projeto, que se estenderá até outubro, mas é bem provável que ele continue nos próximo anos'', explica Segal.
Danos à saúde A relação entre os antidepressivos e a obesidade não é tão direta, segundo a visão do especialista. ''É verdade que esse tipo de medicamento pode provocar aumento de peso, mas não sempre a obesidade. Há um pequeno ganho de peso, mas isso é contornável em consultório. Alguns pacientes abandonam o tratamento por esse motivo, o que é totalmente errado'', explica.
Para Adriano Segal, a situação é apenas uma consequência da superespecialização da medicina. ''Os profissionais prestam mais atenção naquilo em que são especialistas. O psiquiatra vai prestar menos atenção na obesidade, assim como o endocrinologista prestará menos atenção no quadro psiquiátrico. Isso é uma consequência não muito boa, mas que ocorre: atentar mais para a especialização e, muitas vezes, deixar coisas importantes passarem.''
Pesquisas mostram que 30% da população mundial tem um excesso de peso que é clinicamente significativo, ou seja, pode trazer danos à saúde. Nos Estados Unidos, a obesidade está crescendo brutalmente entre as crianças. ''Nos próximos 20 anos teremos 40% da população mundial sofrendo com a obesidade, uma doença cara de se tratar, tanto para o sistema público de saúde quanto para o indivíduo,'' prevê Segal
Doença difícil Quem acredita que a obesidade é perfeitamente evitável está enganado. ''Essa não é uma doença tão fácil de se evitar. Observe: as comidas mais baratas são as calóricas, há uma diminuição das atividades físicas na vida dos indivíduos, entre outros fatores. É preciso uma campanha muito séria de educação e de prevenção nesse sentido'', alerta o psiquiatra.
Além da sensibilização, o projeto visa orientar os especialistas e médicos em geral sobre a importância da atividade física, uso de medicação, tratamentos cirúrgicos, novas técnicas e medicamentos. ''Elas são mais seguras e podem ser usadas com eficácia adequada sem apresentar tantos efeitos colaterais.', explica Segal, comentando também sobre tratamentos e medicações que ainda estão em estudo. ''Vem coisa nova por aí.'' Outras informações sobre o projeto ''Perdendo Peso com Equilíbrio no Consultório do Psiquiatra'' podem ser obtidas pelo telefone (11) 3069-6975. n

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