Mulheres já podem ter um anticoncepcional sob medida e decidir se querem dar um basta na tensão pré-menstrual, nas cólicas, no inchaço e, se for o caso, na própria menstruação. Isso tudo graças aos novos métodos contraceptivos existentes no mercado.
A mais recente novidade dos anticoncepcionais é o Implanon, minicápsulas flexíveis (do tamanho de um palito de fósforo), que são colocadas na parte interna de um dos braços e duram três anos. Elas liberam hormônio que inibe a ovulação e diminui ou suspende a menstruação. O implante custa R$ 430,00, mas, com a colocação, que só pode ser feita pelo ginecologista, sai por R$ 800,00 (em São Paulo).
O Implanon é o primeiro implante industrializado a ser vendido no Brasil. Há outros dois, a Elcometrina e o Gestrinona, inventados e comercializados pelo ginecologista Elsimar Coutinho. Além de contraceptivos, eles ajudam no tratamento da endometriose. Custam de R$ 700,00 a R$ 1.400,00 e duram de seis meses a um ano.
De acordo com médicos ouvidos pela reportagem, a principal queixa dos implantes diz respeito à irregularidade menstrual nos primeiros meses de uso. As mulheres ficam inseguras, sem saber se a falta de menstruação é motivada pelo remédio ou por uma gravidez.
Depressão Segundo Francisco Siervo Neto, diretor médico do laboratório Organon, fabricante do Implanon, cerca de 50% das mulheres param de menstruar. Outras 30% têm irregularidades no ciclo, com intervalos maiores, enquanto 20% têm sangramento normal.
Siervo Neto diz que um estudo com 75 mil mulheres mostrou que nenhuma engravidou durante o uso do contraceptivo. Além disso, o implante se revelou eficaz no combate às cólicas e à TPM (tensão pré-menstrual).
Foi justamente por causa das espinhas e da oleosidade excessiva que a fisioterapeuta Daniele Delboni, 28 anos, decidiu tirar o implante Gestrinona cinco meses depois de colocá-lo. Ela afirma que, antes do implante, testou várias pílulas e todas causaram fortes efeitos colaterais, especialmente depressão.
''Nos primeiros três meses foi uma maravilha. Mas, depois, voltei a ficar deprimida, cheia de espinhas e com o cabelo caindo.'' Segundo o ginecologista Malcolm Montgomery, 30% das mulheres que usam o Gestrinona apresentam oleosidade nos primeiros três meses, mas só 5% se queixam de espinhas. Ele afirma que mais de 10 mil mulheres já utilizam implantes no Brasil.
Outros métodos Nos Estados Unidos acaba de ser aprovada a venda de primeiro anticoncepcional em adesivo, desenvolvido pela Johnson & Johnson. O novo produto lança hormônios na corrente sanguínea da mulher, através da pele, prevenindo a gravidez. Pode ser aplicado nos braços, no abdôme ou nas nádegas, e deve ser substituído semanalmente durante três semanas, seguindo-se uma semana de descanso. Por não requerer uma atenção diária, o adesivo é recomendado para quem leva uma vida muita agitada.
O DIU Mirena, da Schering, é outro novo método contraceptivo recomendado pelos médicos. O dispositivo contém hormônio que, liberado em pequenas doses apenas no útero, também suspende a menstruação em 30% das usuárias após dois anos.
O DIU tradicional, de cobre, na maioria das vezes aumenta o sangramento, além de provocar cólicas. Custa de R$ 700,00 a R$ 800,00 e vale por cinco anos.
Para quem prefere a pílula, mas sofre de gastrite, tonturas ou enjôos, existe um comprimido vaginal, fabricado pela Biolab Sanus. A vantagem é que a droga não circula pelo estômago e fígado. Chamada Lovelle, a pílula não pode ser usada quando a mulher está com infecção vaginal.
Para quem costuma se esquecer de tomar a pílula e não tem medo de picada no braço, uma opção é a injeção anticoncepcional, que libera lentamente, durante o mês, os mesmos hormônios existentes nas pílulas. Pode ter durabilidade de um ou três meses e custa em média R$ 15,00.
Um novo método anticoncepcional deve chegar ao mercado no próximo ano: o anel vaginal, que está em fase final de estudos e será lançado pelo laboratório Organon, tem uma combinação dos hormônios estrogênio (em quantidade mínima) e progestágeno. Colocado no fundo da vagina uma vez por mês, o anel será útil para as mulheres que não se adaptam às pílulas orais e que não querem parar de menstruar.
Mas, atenção, nenhum desses métodos dispensa o uso de preservativos, para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e Aids. n

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