Os primeiros registros da mortadela são anteriores ao nascimento de Cristo. Reza a cartilha dos italianos, que os bolonheses confirmam com anotações de Plínio, o Velho, que o primeiro imperador romano, Otaviano Augusto, que regeu entre 27 A.C. e 14 D.C., apreciava a mortadela de Bolonha, da região de Emilia-Romagna. O imperador, o primeiro a usar o título de Augusto, pedia que os soldados nunca deixassem faltar em suas despensas a iguaria, apreciada com vinho.
  No século 18, os produtores de Bolonha (região italiana), apoiados pela Igreja, especialmente os mosteiros de onde saíam famosas mortadelas, quiseram impedir que outras regiões a produzissem. Seguiam um modelo que se espalhava pela Europa, a exemplo dos produtores de espumante da região francesa de Champagne. Só que não tiveram sucesso, pois, por mãos imigrantes, a mortadela já havia transposto os muros de Bolonha.
  Embutido, mistura de carnes bovina, suína, ovina e de aves, intensamente moídas (separadas ou em conjunto) e, seguindo a tradição, defumadas depois de envoltas em tripas animais – hoje são artificiais –, a mortadela tem seu forte no aroma e no tempero. Tanto que muitos atribuem a origem do nome à mortella, o fruto da murna, uma erva mediterrânea usada como tempero. Outros, à expressão mortaio della carne, ou seja, o socar e moer a carne na madeira ou na pedra até triturá-la. (AE)

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