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quinta-feira, 06 de junho de 2002
Sandra Sato<br>Agência Estado 
Em cada grupo de mil mulheres, com 15 a 19 anos, mais de 90 tinham pelo menos um filho, em 2000 no Brasil, revelou o censo do Instituto Brasileiro de Estatística e Geografia (IBGE). Só não supera a taxa de fecundidade entre mulheres de 20 a 24 anos (133 mães em cada grupo de mil) e as de 25 a 29 anos (113 por mil).
Entre as mais velhas, a faixa etária que mais se aproximou das adolescentes em termos de fecundidade foi a de 30 a 34 anos: 75 mulheres deram à luz em cada grupo de mil. Nas últimas três décadas, as mulheres de todas as faixas etárias acima dos 20 anos estão cada vez gerando menos filhos. A taxa de fecundidade caiu 67%, diz o secretário de Políticas de Saúde do Ministério da Saúde, Claudio Duarte, que atribui essa redução à inserção da mulher no mercado de trabalho.
A tendência se inverte, entretanto, no grupo das adolescentes. Houve um crescimento de 14,7% no número de gestações entre este grupo, somente nas últimas duas décadas. Vinte anos antes, as mães adolescentes não chegavam a 80 num grupo de mil jovens.
Riscos A adolescente corre risco com uma gravidez precoce. É comum durante a gestação, ela sofrer de anemia e pré-eclâmpsia. A ginecologista Natali Maria Alves explica que nessa fase, a adolescente necessita de mais ferro para concluir o próprio crescimento e ainda suprir o feto. Uma mulher anêmica é mais suscetível a infecções, adverte.
A incidência de pré-eclâmpsia, caracterizada por perda de proteína na urina, aumento de pressão e inchaço, nesta faixa etária não tem ainda uma explicação, diz Natali. A estrutura pélvica da adolescente também não está completamente formada, o que dificulta a passagem do bebê num parto normal.
O Sistema Único de Saúde (SUS) considera procedimentos de alto risco o parto e a gestação de uma adolescente, informa Duarte. Pelos partos realizados no SUS, o secretário conclui que a gravidez entre adolescentes está relacionada à pobreza. Norte e Nordeste, onde se concentram os Estados mais pobres, há muitos casos. No ano passado, na Bahia foram realizados 3.075 partos; no Pará, 2.086; e em Pernambuco, 2.021; somente na faixa etária de 10 a 14 anos. Os casos também foram expressivos em São Paulo (3.521) e no Rio de Janeiro (2.065).


