Antenados e cheios de energia
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Quando se fala em avós, qual a imagem que vem à sua cabeça? Dependendo da sua idade, você vai pensar em alguém com cabelos brancos, movimentos lentos, que passa grande parte do dia sentado lendo ou vendo TV, cuidando do jardim ou tricotando. Entretanto, cada vez menos essa imagem se torna real. A chamada geração baby boomer - que compreende as pessoas nascidas entre 1943 e 1964, período após a Segunda Guerra Mundial, quando houve uma explosão populacional - está chegando à terceira idade e quase nada se parece com os avôs e avós de antigamente.
Ativos, eles continuam trabalhando por muito mais tempo, frequentam a academia, praticam esportes radicais, saem com os amigos e namoram. "Somos uma geração que viu e viveu muitas transformações. Vimos o homem chegar à lua, acompanhamos os avanços tecnológicos, a invenção do celular e muito mais", descreve o médico anestesiologista Luiz Celson Patrial, de 66 anos. "E o melhor de tudo é que nos adaptamos a essas transformações", acrescenta a esposa dele, a empresária Miriam Weffort Patrial, de 59, que administra o Restaurante Rural Estância Patrial, fundado por ela há 12 anos.
Pais de três rapazes de 38, 35 e 32 anos e avós de dois meninos e uma menina, eles são um bom exemplo de como envelhecer com qualidade de vida. "Me sinto com muita energia", diz ela. Luiz comenta que seu pai, com 40 anos, já se dizia velho, o que é impensável para alguém da mesma idade hoje. "Mesmo tendo direito, me nego a entrar em fila para idosos", diz rindo.
Comemorando 40 anos de casados, Luiz e Míriam dizem que continuam com os mesmos hábitos da juventude: ir ao cinema, comer fora, sair com os amigos e recebê-los em casa, viajar. Ele ainda joga futebol com os amigos uma vez por semana, apesar de temporariamente suspenso devido a uma lesão no ombro.
"Acho que uma pessoa que quando jovem foi isolado, não se relacionava com outras pessoas, vai continuar do mesmo jeito. Eu continuo me alimentando bem, tomo uma taça de vinho de vez em quando, faço pilates. Sou muito otimista, não fico pensando em doença. Também sou muito organizada, preciso saber na noite anterior tudo o que vou fazer no dia seguinte. O trabalho é muito bom, às vezes confesso que vou com preguiça, mas depois me envolvo", diz ela.
Parar de trabalhar ainda não está nos planos, mas diminuir o ritmo, sim. "Gostamos muito de viajar para ver nossos netos, principalmente, e a Miriam consegue fazer isso mais do que eu. Tenho uma escala no trabalho e de vez em quando consigo um final de semana de folga. Ela também tem bons funcionários, muitos que estão desde o início na Estância e por isso consegue se ausentar. Não sei se depois (que se aposentar) vou inventar algo fora da medicina", afirma Luiz.
Como todo casal, Miriam e Luiz também passaram por vários momentos difíceis, como quando o hospital em que ele trabalhava fechou. "Dificuldades todos têm. Mas vejo uma força no meu marido que é maravilhosa. Ele também sempre me apoiou", diz ela.
"Sempre acreditei no empreendedorismo dela, que nunca ficou em casa esperando. Quando ela quis fazer a segunda faculdade (de Turismo e Hotelaria), aos 40 anos, a convite do nosso filho que também estava fazendo vestibular, achei ótimo", afirma ele.
Miriam acredita que a receita para chegar bem à terceira idade é ter bom humor e bons amigos. "Gostamos muito de ler e quase todos os dias assistimos a um filme juntos. O companheirismo só aumentou depois que os filhos saíram de casa, nos tornamos mais cúmplices", garante a empresária.

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