O número de crianças brasileiras ansiosas aumentou 60% nos últimos dez anos, de acordo com um levantamento realizado pelo Centro de Atendimento e Pesquisa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (Capia), da Santa Casa do Rio de Janeiro. E a explicação, segundo especialistas em desenvolvimento infantil, são os estímulos recebidos na primeira infância (período de 0 a 3 anos de idade).
De acordo com os estudos, o ambiente familiar deve ser harmonioso e aberto ao diálogo. Os pais, ou responsáveis, precisam manter as crianças afastadas de problemas, como brigas movidas por separações ou questões financeiras, desequilíbrios emocionais. "As condições do início da vida têm um longo alcance para o comportamento do ser humano. Uma criança submetida a situações de estresse ou ansiedade ficará marcada de alguma forma, carregará isso como parte da sua formação", alerta a psicóloga Ely Harasawa, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.
A especialista informa que uma recente pesquisa apontou que os primeiros anos, desde a concepção, definem a base para a vida, pois têm influência significativa no desenvolvimento do ser humano. Por isso, os pais ou responsáveis pelo desenvolvimento das crianças precisam ficar extremamente atentos aos cuidados educacional e emocional. "A quantidade e a qualidade dos estímulos que a criança recebe do ambiente em que cresce afetam seu desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial", diz Ely.
Timidez: Estudo da Universidade de Maryland, EUA, sugere que a timidez está nos genes. Ao analisar a atividade cerebral de bebês de nove meses descobriu-se que os tímidos ficavam tensos quando cumprimentados por estranhos. Eles mostravam atividade cerebral mais intensa no lóbulo frontal esquerdo, área associada à ansiedade e ao medo. Nos extrovertidos, a região "acionada" era a do prazer.
Estímulos: Aos três anos, o cérebro dos bebês faz aproximadamente 15 mil sinapses por neurônio, três vezes mais do que a dos adultos. Os circuitos cerebrais, no entanto, dependem de estímulos. "A falta prejudica o aprendizado, mas o excesso também faz mal", diz o neuropediatra Luiz Celso Vilanova, da Unifesp.
O cérebro não deve ser sobrecarregado, caso contrário, perde o foco no que importa. Muitas pais, porém, nem sequer suspeitam que diversas atividades mais atrapalham do que ajudam. Vale lembrar que o tipo de estímulo não é tão importante quanto a forma como é oferecido. De acordo com pesquisadores, é preciso que haja cumplicidade na brincadeira, pois descobertas infantis são ligadas às emoções.


Imagem ilustrativa da imagem Ansiedade surge nos primeiros meses
A partir dos 5 meses, os bebês já são capazes de sentir alegria, tristeza e frustração
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Flávia Garcia pode perceber as características de cada filho já nos primeiros meses de vida