Todo começo de ano é a mesma coisa: as férias terminam e ficam as inúmeras contas para pagar. Para quem tem filhos em idade escolar, principalmente entre a pré-escola e o ensino fundamental, as despesas ficam ainda maiores com a compra do material escolar.
Embora os donos de papelarias e escolas digam que a lista diminuiu nos últimos anos, é considerado normal que um aluno da 1 série tenha que levar, pelo menos, 35 itens, enquanto que os do maternal chegam a listar mais de 45 produtos diferentes, entre papéis, lápis, caixas, brinquedos e livros.
De acordo com a proprietária e diretora da Escola Alternativa, Patrícia Martins de Andrade, a diferença nos números é causada pela necessidade de cada idade. ''As crianças menores precisam de mais estímulos e de materiais específicos como massinha de modelar, giz de cera grosso, papel grande. Já no ensino fundamental a lista diminui porque os alunos terão que estudar com os livros didáticos e não só com o material extra'', afirma.
Ela diz que toda lista é elaborada junto com os professores, que pedem os materiais de acordo com as atividades que serão desenvolvidas no decorrer do ano. ''A escola e os profissionais precisam ter bom senso para não pedir algo que não será usado. Nada é pedido apenas para brincadeiras. Tudo tem seu motivo e a quantidade deve ser suficiente para o ano. Os pais geralmente não têm tempo para voltar nas lojas comprar mais material depois de as aulas iniciarem'', explica.
Caso ocorra o contrário, e sobre material no final do ano, Patrícia diz que o correto é devolver os produtos aos pais. ''Também se deve fazer isso caso o aluno saia da escola antes do fim das aulas. Muitas vezes as sobras podem ser aproveitadas de um ano para o outro. Materiais como tesoura, régua, compasso, cola e até lápis e caneta também podem ser utilizados nos anos seguintes'', garante.
Íntimo e pessoal Materiais de uso pessoal, como copos descartáveis e papel higiênico, também fazem parte de algumas listas e intrigam os pais. ''Nós pedimos por uma questão de conscientização dos alunos quanto ao uso desses produtos. Muitas escolas não pedem mas têm um valor de mensalidade muito elevado. Nesse caso também não deve haver exageros. Pedimos um pouco, mas sempre temos que comprar mais no meio do ano. Papel higiênico, por exemplo, pedimos quatro rolos, o que não é suficiente para um ano todo'', esclarece a diretora.
Outras exigências, como cor de capa de caderno e etiquetas também têm seus motivos. Segundo Patrícia, eles ajudam a identificar o dono de cada item, uma vez que os alunos trabalham em grupo e misturam materiais. ''Principalmente com os menores isso é muito importante. As capas de uma só cor facilitam para saber de qual turma é cada produto. Já as etiquetas e os nomes não são obrigatórios, mas evitam perda de material, o que é muito comum nessa fase de pré-escola'', garante.

Marcas Quantidade de lápis de cor e marca de materiais são exigências que as escolas não podem fazer. ''Deixamos os pais escolherem o que querem comprar para os filhos. Eles podem optar pelo apontador simples ou enfeitado, isso não importa. Mas damos algumas dicas. Um lápis de cor de uma boa marca irá durar muito mais tempo que um de marca desconhecida. Às vezes a economia não compensa. Mas nenhum aluno é obrigado a usar um material de marca específica'', lembra.
Para a médica Lucila Poralla Cunha, 38 anos, a lista não é assim tão grande. Ela tem dois filhos, um na 1 série e outro da 3 série e diz que o que assusta é a quantidade de pequenas coisas. ''Quando a gente olha no papel parece muito, mas é muita coisa miúda, como papéis diferentes'', comenta. Ela diz que costuma reaproveitar coisas de um ano para o outro e também atender o pedido dos filhos. ''Algumas coisas eles pedem e, se posso, atendo. As crianças adoram material escolar e fazer um pouco a vontade deles é importante'', afirma.

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