Tirar os filhos da ''escolinha'', onde entraram ainda bebês, para colocá-los as ''escolonas'', quando a obrigatoriedade do ingresso no 1º ano do ensino fundamental - agora aos 6 anos - bate à porta, deixa famílias preocupadas e cheias de dúvidas. Deixá-los onde estão até completarem 5 anos ou deslocá-los um ano antes para que tenham tempo de se adaptar aos novos espaços, métodos e amigos? Será que estão maduros para enfrentar esse desafio?
Para quem pensa em antecipar a mudança, a decisão tem de ser rápida. Logo após as férias de julho, as escolas começam a fazer as pré-reservas de matrículas para o ano seguinte. Pela nova lei, alunos com 6 anos devem cursar o 1º ano do fundamental.
Um termômetro de que a antecipação tem ocorrido desde que a legislação mudou é a elevada procura pelas classes do infantil (de 3 a 5 anos) de alunos migrados de escolinhas um ano antes de ingressar no fundamental. ''A procura tem sido grande. Os pais nos dizem preferir que os filhos passem um ano se familiarizando com a nova escola'', diz a orientadora pedagógica Beatriz Gallian.
A especialista em educação infantil Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica (PUC/SP), defende outra saída. Para ela, é importante a criança fechar o ciclo na escolinha em que está até completar os 5 anos para recomeçar outro. ''Não necessariamente ela terá dificuldades de adaptação nas escolas grandes porque em um ano a criança amadurece muito emocionalmente. Antecipar não vai garantir o processo de maturação'', afirma.
Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo Rubens Barbosa de Camargo, o que os pais têm de pesar no ano que antecede a entrada do filho no sistema formal são as propostas pedagógicas oferecidas e se as ''escolonas'' adequaram seus espaços físicos. ''Esses estabelecimentos precisam oferecer mais locais onde elas possam continuar brincando já que a infância não se encerra aos 5 anos. Essa transição tem de ser gostosa para que continuem a gostar de escola.''

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