Todos os dias é a mesma coisa. Os pais precisam fazer verdadeiros malabarismos para atender a todos os compromissos, mas dos filhos. A maratona começa nas primeiras horas do dia e vai até à noite. É preciso levá-los no colégio, no inglês, na natação, no balé, no judô... haja fôlego! Com medo da violência que impera nas ruas tanto das grandes cidades como nas de médio porte, os pais viraram guarda-costas dos filhos levando-os para todos os lugares.
Além disso, eles vivem um grande dilema: até que ponto essa proteção não cria uma dependência? Qual é o momento certo de deixar os filhos caminharem com as próprias pernas? Por outro lado, as crianças também reivindicam os seus direitos. ‘‘Eu gosatria de ir sozinho para a escola para saber como é que 钒, diz André Thiago Saconatto, 11 anos. O irmão, Guilherme Augusto, 9 anos, apóia, mas acha que ainda é cedo. ‘‘Quando eu completar 14 anos vou poder sair sozinho porque vou saber me defender’’, acredita.
Nilvado e Elizabeth Saconatto acham que os filhos André Thiago e Guilherme Augusto ainda são pequenos para saírem sozinhosOs pais, José Nilvado Saconatto, 39 anos e Elizabeth, 43 anos, concordam que seria irresponsável da parte deles deixar os filhos saírem sozinhos. ‘‘Eles ainda não sabem se defender e precisam de nossos cuidados. Para tudo existe um tempo certo e isso deve acontecer aos poucos’’, afirma Nivaldo. Elizabeth Saconatto revela que sempre manda André Thiago e Guilherme Augusto à padaria, a duas quadras de casa para que eles possam ir se acostumando. ‘‘Quando vamos ao shopping deixamos os dois andar sozinhos e marcamos um lugar para nos encontrar. É uma forma de ir queimando etapas’’, oberva.
Para Nilvado Saconatto, levar os filhos em todos os lugares não é um sacríficio. ‘‘Enquanto estamos no carro, aproveito para conversar com eles sobre a escola, dou carona para os amiguinhos e fico sabendo com quem meus filhos está andando. Não reclamo dessa tarefa porque proteger os filhos é um dever dos pais e não de terceiros’’, afirma. Nilvado e Elizabeth ressaltam que não estão criando os filhos numa ilha da fantasia. ‘‘Conversamos muito sobre violência, drogas e sexo para que eles saibam como é o mundo lá fora’’, acrescentam.Josoé de CarvalhoTazzo Borghesi e Gisela Borghesi procuram incentivar as filhas Isabella e Gabriella a ser independentesCelso Mattos

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