Animais também podem ter diabetes
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
Bruna Quintanilha<br>Reportagem Local 
Nem só de amor e carinho vivem cães e gatos. Para garantir que os bichinhos tenham uma vida saudável é preciso ficar atento a pequenos sinais. Se o seu animal de estimação passou a beber água e comer em excesso, fazer muito xixi ou perdeu peso rapidamente ele pode estar com diabetes. "De uma maneira geral os sintomas clínicos, observados nos cães e gatos diabéticos são muito parecidos com os do ser humano", explica o médico veterinário da Guabi Pet, René Rodrigues Júnior. "Porém, esses sintomas não são exclusivos do diabetes. É necessária a realização de exames específicos", complementa o especialista.
Em casos mais graves, no entanto, quando os primeiros sinais não são percebidos, a doença pode causar vômito, diarreia, desidratação e até coma, conta o veterinário endócrino do Espaço Vida Veterinária de Londrina, Mauro José Lahm Cardoso. "A catarata ou os olhos brancos, no caso dos cães, também é um sinal bastante comum. A perda da visão, aliás, é uma das complicações mais sérias", diz Cardoso.
Segundo Júnior, assim como os humanos, os animais também podem sofrer de dois tipos de diabetes. "O diabetes tipo 1 é aquele que o pâncreas, órgão responsável pela produção de insulina, deixa de produzi-la. É a mais comum nos cães. No diabetes tipo 2, comum em gatos, há resistência à insulina", explica.
De acordo com Cardoso, alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento do diabetes em cães e gatos. "Nos cães o fator genético é muito comum, ou seja, eles têm uma pré-disposição para a doença. Além disso, alguns elementos aumentam o risco, como o uso de corticoides, em pomadas, remédios de ouvido e colírios, por exemplo, e os anticoncepcionais", explica. "Já nos gatos o fator que mais contribui é a obesidade", acrescenta.
O tratamento em cães e gatos também ocorre de maneira similar a dos humanos. "O tratamento é feito com a aplicação de insulina duas vezes ao dia associado à uma alimentação controlada", afirma Mauro Cardoso. Segundo René Júnior, o controle da alimentação tem como objetivo fornecer energia ao animal sem ocasionar a alteração glicêmia. "O tipo do alimento também é importante para o controle do diabetes. As fibras são aliadas do controle da doença assim como a restrição calórica. Para os cães, a fonte de carboidrato, como sorgo e lentilha, também é essencial enquanto para os gatos são indicados alimentos ricos em fibras e proteínas."
Além disso, conforme o veterinário do Espaço Vida, as cadelas diabéticas devem ser castradas no caso de diagnóstico. "Faz parte do tratamento. Os hormônios do cio podem piorar o caso", explica Cardoso.
A medição da glicose também é indicada para os animais, mas ao contrário do tratamento em humanos neste caso não se deve mudar a dose da insulina de acordo com os resultados. "Se houver alguma alteração é preciso entrar em contato com o veterinário", recomenda Cardoso.
FIQUE DE OLHO
Quando não tratado, o diabetes pode ocasionar outras doenças em cães e gatos
Cães
catarata diabética
doenças renais
aterosclerose
aumento do colesterol
alteração no sistema nervoso
Gatos
doenças renais
aterosclerose
perda da coordenação motora, dificuldade para andar
Fontes: René Rodrigues Júnior e Mauro José Lahm Cardoso



