Cães não falam, mas sabem se fazer entender para os donos. Olhares, choramingos e latidos são alguns dos artifícios usados pelos animais para se comunicar com as pessoas. O problema é quando eles ''falam muito'' e o latido acaba se tornando um transtorno na vida da família. Para a médica veterinária Maria Tiemi, o primeiro passo diante de uma situação como esta é descobrir o motivo de tanto barulho. ''O latido é uma expressão do cachorro e, geralmente, está ligado ao acúmulo de energia que gera ansiedade'', explica.
Conforme ela, algumas pessoas optam por usar coleiras antilatidos, mas ela não recomenda. ''Há quem utilize, mas eu não gosto'', destaca. Existe a coleira de choque e a que emite um aviso sonoro. Segundo a veterinária, as duas provocam dor e incômodo ao animal. ''Sou contra o adestramento por dor. Acho mais importante descobrir o motivo deste comportamento do que inibir o animal de latir'', justifica.
Os latidos podem ser desencadeados por solidão, ansiedade, tédio, nervoso e outros motivos. Para a veterinária, a principal causa do latido é o fato de muitas pessoas adquirirem um cão sem saber qual é a real necessidade daquele animal. ''Tem cachorro que é mais pacato e tem alguns que são geneticamente programados para dar alarme. Ao mesmo tempo, há animais que são mais ansiosos, mais enérgicos e precisam eliminar estas características de alguma forma''.
A veterinária orienta que antes de comprar uma coleira antilatidos, os guardiões busquem saber o que está provocando o comportamento. Ela destaca, no entanto, que se o animal tem um desvio de comportamento é preciso tratar a causa. ''Uma avaliação veterinária vai identificar se há algum problema físico ou deficiência de nutrientes que possam alterar o metabolismo cerebral'', explica. Se os exames derem resultado negativo, ela recomenda que se procure um profissional especializado em comportamento animal para iniciar um treinamento.
Para alguns animais, ela destaca quem nem o adestramento resolve. ''Se não suprir a necessidade daquele cachorro, ele vai latir. Pode ainda destruir a casa, desenvolver depressão, transtorno de ansiedade ou outras doenças. Na maioria das vezes é a ignorância do dono contra a necessidade da raça. Não tem mágica'', alerta. A veterinária explica que a maior parte dos adestradores sérios trabalham com o gasto energético necessário para cada raça e que esta técnica apresenta bons resultados.
O adestrador Laércio Ferreira de Andrade explica que na rotina do cachorro a atividade física deve vir em primeiro lugar, seguida da disciplina e do carinho do dono. ''As pessoas invertem este esquema, por isso os animais apresentam comportamentos difíceis'', diz.

Imagem ilustrativa da imagem Animais 'tagarelas'
Rottweiler é uma das raças mais silenciosas



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- História da raça influencia comportamento