Muitos casais decidem ter um animal de estimação antes de ter um filho. A experiência é válida, mas alguns cuidados são necessários após o nascimento do bebê. Quem tem um cachorro ou um gato precisa de acompanhamento veterinário permanente e cuidados com vacinação, vermífugo e controle de ectoparasitas - pulgas e carrapatos. Estes fatores merecem atenção redobrada quando se tem uma criança em casa, principalmente porque elas gostam de brincar no chão e costumam colocar a mão na boca com frequência.
De acordo com o médico veterinário André Ramos quem mora em casa precisa de cuidados ainda maiores, como vacinar o animal contra leptospirose, uma doença transmitida pela urina dos ratos. ''Os ratos vivem nas ruas, e têm hábitos noturnos, por isso a maioria das pessoas não os veem. Eles são atraídos pela ração dos animais e acabam urinando por onde passam'', explica. Ramos alerta que é preciso ter cuidado para que a criança não brinque em locais onde os ratos tenham acesso. ''Para evitar essas situações é importante evitar de deixar comida à disposição dos cães e gatos. Cuidado também com o local onde a ração é armazenada. Leptospirose é uma doença que pode matar'', ressalta o veterinário.
O piso merece uma limpeza adequada, pois o lugar sempre é dividido entre os animais e as crianças. ''Existem produtos especiais para a limpeza dos locais onde os animais defecam. A família também pode optar pelo uso do cloro concentrado para desinfetar estas áreas'', orienta. Para Ramos, não há problemas do animal frequentar o quarto da criança, desde que a família siga os cuidados referentes à vacinação e ao controle de parasitas.
Ele afirma que aumentar a frequência do banho ou reduzir os passeios não traz mais proteção às crianças. ''Banhos e os passeios devem ser mantidos sempre na mesma rotina. É interessante que o animal passeie bastante, assim ele se acostuma a fazer as necessidades na rua, o que mantém a casa mais limpa'', sugere. ''Mas os donos não podem esquecer de recolher a sujeira'', acrescenta.
O animal ignorado pode ficar doente e até mesmo apresentar mudança de comportamento para chamar a atenção. ''A pessoa não pode simplesmente anular o animal porque teve um filho. É preciso compensar a atenção que o bicho vai deixar de ter com passeios e fazendo com que ele se distraia com outras coisas'', diz.
Segundo ele, a rotina deve continuar a mesma que existia antes da criança chegar. ''Existem casos em que o animal para de se alimentar, em outras situações ele fica agressivo e há ocasiões em que eles se sentem 'guardadores' do bebê e passam a protegê-lo até mesmo das visitas'', alerta. Apesar dos ajustes iniciais em geral os animais se adaptam à chegada do bebê. Nas demonstrações de ciúme o animal pode começar a urinar no quarto da criança. O veterinário explica que, além de chamar atenção do proprietário, esta é uma forma que o animal encontra para 'disputar espaço' com o novo membro da família.
Quando os casais decidem comprar ou adotar um animal, destaca o veterinário, é preciso ter consciência de que o bicho pode viver cerca de 18 anos - se for de uma raça pequena. ''Deve-se levar em conta o tamanho do cachorro e o espaço que a família terá disponível para ele durante estes anos. Cada raça tem um temperamento, além disso, cachorro solta pelo e precisa de cuidados médicos.''

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