Anestesia eletrônica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Francelino França 
O medo da anestesia e aquela impressão desagradável deixada pelos anestésicos afugentam muita gente dos consultórios dentários. Hoje, os profissionais da área odontológica estão oferecendo como opção aparelhos que evitam esse desconforto aos pacientes. No caso da anestesia convencional, o dentista pode trabalhar dois minutos ou uma hora que a sensação pós-anestésica vai ser a mesma: face inchada, dormência e a impressão de que o rosto aumentou de tamanho. Com a utilização da anestesia sem agulha, esses incômodos não existem.
Esta é uma inovação ainda pouco usada no País, mas muito difundida nos Estados Unidos, segundo o periodontista londrinense João Carnio. Uma pessoa que vai ao dentista para um tratamento dentário que exige anestesia, logo em seguida pode ir a qualquer compromisso, falar e comer sem comprometimento algum. Atitude impensável quando a anestesia é convencional.
Conforto A anestesia eletrônica dental visa, em primeiro lugar, dar ao paciente a sensação de conforto. O funcionamento é por estímulo eletrônico, com a função de bloquear a dor, antes que ela chegue ao cérebro. O aparelho é portátil, cabe na palma da mão, é manipulado pelo próprio paciente e ativado por uma bateria de 9 volts. Existe um fio ligando um par de pads (sensores) descartáveis ao aparelho. Não há a sensação invasiva da agulha. O uso é transcutâneo, sobre a pele do rosto.
O periodontista João Carnio usa esse sistema, de origem americana, há dois anos. Uma das vantagens citadas pelo especialista é a não utilização de drogas analgésicas. Isso elimina eventuais reações alérgicas da anestesia. O próprio paciente controla o impulso, dando maior segurança a ele. Imediatamente após desligado o aparelho, cessam os sintomas pós-anestésicos. Não existe sensação de inchaço e também não persiste aquele efeito analgésico, ressalta. Além disso, evita-se o risco de uma possível contaminação.
Indicações Os procedimentos recomendados para a anestesia eletrônica são: periodontia (higiene oral e raspagem), restauração e alívio de dores tempomandibulares (nos músculos da mandíbula).
Existem alguns pacientes que têm verdadeira fobia por agulha, não podem nem ver o dentista segurando uma seringa. Neste caso, esse sistema funciona perfeitamente. Quem não gosta da dor da picada da agulha e, principalmente, quem não suporta as sensações pós-anestésicas também pode se valer deste recurso. O especialista diz ainda que utiliza o sistema em pessoas que apresentam reações alérgicas ao agente químico anestésico e ainda em crianças que saibam controlar o aparelhinho.
A sensação que o paciente tem com o uso da anestesia eletrônica é de um leve formigamento, esclarece. Pode-se comparar essa sensação àquela em que a pessoa dorme numa posição incômoda, em cima do braço, e acorda com a sensação que o braço está dormindo. Cortando o estímulo eletrônico, corta-se a sensação de leve formigamento.
Existem casos, no entanto, em que há contra-indicações. Pacientes com baixa tolerância à dor, aqueles que possuem medo de eletricidade e homens que usam barba estão entre os que não podem se utilizar deste tipo de anestesia. As contra-indicações médicas englobam pacientes portadores de marcapasso, pessoas com determinadas patologias cardíacas, doenças cerebrais e lesões de pele. Os adolescentes que têm espinhas e acne em abundância não respondem bem à anestesia eletrônica.
Ainda não podem usar o aparelho mulheres grávidas e portadores de tumor cerebral. Em procedimentos mais profundos, como a extração dentária do terceiro molar, João Carnio não recomenda o uso da anestesia eletrônica, devido ao fato de necessitar de um bloqueio mais completo da dor.


