Saúde e Tecnologia é o tema do 42º Congresso Médico de Londrina, que será realizado de 17 a 21 de outubro, no Centro de Convenções do Hotel Sumatra. Promovido e organizado pela Associação Médica de Londrina, o evento científico vai reunir cerca de 20 convidados nacionais e internacionais, que ministrarão conferências e cursos dirigidos a mais de 30 especialidades médicas. A expectativa dos organizadores é de que cerca de 700 profissionais da área da saúde e estudantes dos cursos de medicina e enfermagem participem.
Entre os temas programados para o evento estão as anemias hemolíticas hereditárias, trabalho da médica londrinense Denise Akemi Mashina, especialista em hematologia infantil. O assunto será debatido no dia 19 de outubro, a partir das 8 horas, com a presença do médico Ricardo Manrique, professor de pós-graduação do Instituto Dante Pazzanese, de São Paulo.
Apesar de pouco discutidas, as anemias hemolíticas hereditárias acometem uma parcela significativa da população brasileira. Transmitidas geneticamente, essa doenças possuem em comum o fato de ocasionarem a produção defeituosa de células vermelhas do sangue (hemácias). Quando o corpo identifica o defeito, acaba por destruir as células, provocando o quadro clínico conhecido por anemia.
A médica londrinense Denise Akemi Mashima, especialista em hematologia infantil, explica que as anemias hereditárias se distinguem da doença provocada pela falta de ferro – mais frequente – porque não são causadas pela diminuição na produção das células. ‘‘No caso das síndromes transmitidas geneticamente, as hemácias são produzidas, mas por serem defeituosas, acabam destruídas. A gravidade da doença depende do nível de defeito das células fabricadas’’, disse.
No Brasil, as síndromes falcêmicas são as mais comuns entre as anemias hemolíticas hereditárias. ‘‘Sua maior incidência acontece entre os negros e seus descendentes, que perfazem cerca de 70% do povo brasileiro’’, informa a médica. Entre essas síndromes, a mais séria é a anemia falciforme, caracterizada por produzir hemácias em forma de foice.
Denise acrescenta que a maioria dos pacientes é de origem humilde, por isso há demora no diagnóstico do problema. Existem muitos casos da doença identificada na vida adulta, quando deveria ter sido descoberta no primeiro ano de vida. Independente do tipo de anemia, a identificação precoce pode garantir maior qualidade de vida ao portador, evitando complicações como problemas renais e cálculo de vesícula.
Também pertencem às síndromes falcêmicas o traço falciforme e o gene falciforme associado à belta talassemia e hemoglobinopatia C. O traço não acarreta sintomas, significa apenas que a pessoa pode transmitir o gene para seus descendentes. As doenças associadas apresentam grau leve de anemia, por isso precisam de acompanhamento.
Menos frequentes no Brasil, as síndromes talassêmicas acometem principalmente a região do Mediterrâneo. Nestes casos, o problema está na quantidade de hemoglobina produzida, que acarreta defeito nas hemácias. A situação mais grave é a beta talassemia major, cujos portadores dependem de transfusão sanguínea para sobreviver.
Além das duas síndromes citadas, existem outros tipos de anemias hemolíticas hereditárias, cujas consequências são menos graves. Em qualquer caso, o quadro clínico mais comum se caracteriza por anemia desde o primeiro ano de vida, ictirícia (olhos amarelados) e fígado ou baço aumentado. Não existe tratamento para curar a doença, que é genética, mas o acompanhamento médico é necessário para evitar complicações. ‘‘Os pacientes bem assistidos costumam levar uma vida normal, apesar de serem mais franzinos. O problema costuma ser identificado no primeiro ano de vida pelo próprio pediatra, através de exames de rotina, e não há motivo para os pais se preocuparem com possíveis sintomas’’, afirma a médica.

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