Na literatura médica, existe o relato de 11 casos de infarto do miocárdio sofrido por atletas jovens que usavam esteróides anabolizantes para aumentar a massa muscular e, como consequência, melhorar o desempenho. ‘‘Isso mostra claramente os efeitos nocivos que os anabolizantes podem provocar no sistema cardiovascular de um indivíduo’’, afirmou o professor Ovandir Alves Silva, diretor do Laboratório de Análises Toxicológicas da Universidade de São Paulo, responsável pelos exames antidoping do Campeonato Paulista de Futebol, desde 1974.
O toxicologista foi buscar na literatura o respaldo para comentar que, de fato, existe a possibilidade da morte da atleta norte-americana Florence Griffith Joyner, 38 anos, ter sido causada por uma parada cardíaca provocada por uso de esteróides anabolizantes. As causas da morte da recordista mundial dos 100 e 200 metros ainda estão sendo investigadas pela justiça de Orange County, onde a atleta morava.
‘‘Não posso falar do caso em si, mas apenas sobre a possibilidade de isso ocorrer que, na verdade, existe.’’ Segundo o professor, o aumento da pressão arterial e do volume sanguíneo e a redução de lipoproteínas formam um conjunto de efeitos nocivos que podem ser associados ao uso de anabolizantes, aumentando o risco de um atleta ter infarto do miocárdio ainda jovem.
Ovandir Alves Silva observa que o desenvolvimento de aparelhagem e metodologias, usadas para a detecção de grupos de esteróides anabolizantes, anda atrás do crescimento do doping. ‘‘Na década de 50 surgiram os rumores de uso de doping, mas só na Olimpíada de Montreal, em 1976, é que foram detectados os primeiros casos’’, lembra ele.

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