Ampliando horizontes
Ampliando horizontes
Fotos: Marcos NegriniRose e Katia orientam e ajudam a reunir a papelada
Celina Alonso Az
Uma das muitas portas de saída para quem pretende passar um tempo no exterior é o Escritório de Cooperação Internacional da Universidade Estadual de Maringá, criado há seis meses. A entidade faz intermediação de bolsas de estudos, atendimento a convênios com fundações de ensino e pesquisa do Brasil e do exterior e encaminha profissionais ou acadêmicos para estágios, cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento profissional. O Escritório tem conexões com embaixadas, consulados, universidades de diversos países e pesquisa pela Internet maneiras de encaminhar candidatos a intercâmbios.
Os países mais procurados para intercâmbio são Espanha e Portugal por causa do idioma. Nos países de língua inglesa estamos encontrando barreiras. Muitos descobrem que o inglês deles é didático, certinho e lá constatam que se fala muita gíria, frases incompletas e muitos ficam meio perdidos nos primeiros três meses, diz a técnica Rosely Tomimori. Atualmente, há uma procura muito grande pelos países do Mercosul, principalmente na área administrativa.
O custo de um aluno nos países vizinhos é quase igual ao do Brasil. Somando alojamento e alimentação a despesa é de aproximadamente US$ 300.00 por mês. Na Europa, o custo de um aluno fica em torno de US$ 600. As taxas escolares num convênio não são cobradas. No Brasil existem programas de bolsas para quem quer estudar lá fora, através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. É um órgão que financia projetos de pesquisa e capacitação (mestrado e doutorado) e funciona para quem já tem um emprego em universidades brasileiras e quer trabalhar no exterior.
Jaqueline Sandi adorou o estágio na Espanha. Agora quer fazer um em língua inglesaQuem sai para pós-graduação se candidata ao programa de bolsas oferecido pela universidade do país estrangeiro. As bolsas integrais são em pequena quantidade e os testes de seleção são muito rigorosos. Quem consegue uma das três bolsas de estudos integrais que uma universidade espanhola oferece para candidatos de todos os países ibero-americanos, não terá despesas de alojamento e alimentação. Recebe ainda um valor para a mudança e as despesas do curso. A passagem e transportes em geral ficam por conta do aluno. Em alguns casos existe o reembolso das verbas para locomoção. Mas se o aluno levar a família terá de custear tudo para os acompanhantes. Se ele alugar uma casa, a universidade devolve o equivalente ao preço do alojamento de uma pessoa para ajudar a pagar o aluguel.
Dependendo do curso, o estudante poderá passar de um a três anos fazendo mestrado. Para doutorado a duração é de quatro anos. E o bolsista volta a sentar nos bancos escolares, só que em outro idioma. Hoje, quem tem um currículo internacional abre muitas portas na hora de procurar por um emprego no Brasil. Sem contar a abertura de horizontes culturais e da experiência pessoal que a gente traz de fora, conta o engenheiro Arlindo Menezes Frota, que estudou numa universidade da Espanha. Só ficava meio constrangido de ser o mais velho da turma, fazer esportes com a moçada e de comer em bandejão pratos com temperos muito diferentes do meu paladar, lembra Cunha.
Quando termina o curso, o estudante tem de cumprir o termo assinado antes de partir e voltar para o Brasil, a menos que consiga se manter por outros meios, arrumando um emprego.
Jaqueline Sandi, 21 anos, estudante de Engenharia Civil viajou para a Espanha. Ela fez um estágio de dois meses na Universidade de Alcalá de Henaris, a 20 quilômetros de Madri. Tirando alguns contratempos como diferenças nas matérias que pretendia estudar, e uma adaptação ao idioma, ela diz que tudo foi ótimo e que teve muita sorte. Na casa onde fiquei conheci gente de diversos países e trocamos importantes experiências. Os europeus adoram intercâmbio, já faz parte da cultura deles. Ela observa que é natural na vida dos jovens, mesmo os de alto poder aquisitivo, trabalhar e estudar. Com isso eles viajam muito e conhecem toda a Europa, conta Jaqueline. Faltando cinco dias para voltar, ela passou num teste para trabalhar num banco Quase fiquei porque ia ganhar o suficiente para me manter, mas preferi terminar meu curso. No próximo ano, já formada, eu pretendo fazer um novo intercâmbio num país de língua inglesa.
Katia diz que a papelada é a parte mais difícil do projeto. A tramitação dos papéis é lenta. Temos uma jovem que quer fazer pós-graduação na Espanha no ano que vem. Há quatro meses está batalhando, é um vai-e-vem de fax, telefonemas e cartas para a embaixada.
Para concorrer a uma bolsa, o candidato precisa de uma carta de aceite da universidade. Quando dizem ok, ele começa a negociar a bolsa no Brasil e no exterior. Outra parte é a convalidação do diploma e o histórico escolar. Os documentos vão para Brasília, é um monte de carimbos, depois vem a fase de assinaturas, e quase nunca sai em menos de três, quatro meses. Muitos desistem só de ver a papelada e os gastos com documentos, conta Rosely Tomimori.
Num outro programa coordenado pelo ECI, o MAST, para estudantes de Agronomia trabalharem nos Estados Unidos, os candidatos têm de dominar a língua inglesa porque ficam nove meses trabalhando em fazendas americanas. Anualmente, eles tem uma seletiva. Se o aluno for ruim no idioma perde a bolsa e é devolvido. Para trabalhar ele ganha alojamento, alimentação e recebe salário de trabalhador braçal, que é maior do que o daqui, conta Roseli.
Serviço:
O Escritório de Cooperação Internacional da Universidade Estadual de Maringá atende pelo telefone (044) 261-4040 ou 261-4283 e não cobra nada dos candidatos.





