Solidão, timidez, simples falta de tempo ou mesmo curiosidade. Seja qual for o motivo, é cada vez mais comum as pessoas buscarem sua cara-metade através da Internet. Não se expor parece ser a ordem do dia. E nada mais eficiente para isto do que os teclados de um computador.
A psicóloga Sandra Flores afirma que esse meio de comunicação tem sua importância como o telefone, as cartas, os telegramas; cada um em sua época. O importante, como em tudo na vida, é usar este recurso de forma saudável.
Ela afirma que hoje é muito difícil viver o amor. O ser humano está muito inseguro em função das decepções, traições. A Internet acaba servindo de ‘‘proteção’’. ‘‘A pessoa vai experimentando esse mundo sem se expor. Depois que superou algumas expectativas, ela marca um encontro’’, afirma.
Se a pessoa usa o mouse para encontrar alguém e a partir daí consegue fixar um relacionamento, está tudo bem. O alerta deve existir quando a pessoa não consegue se relacionar com o outro em um contexto físico e social. ‘‘Principalmente no caso de adolescentes. A família precisa estar atenta para ver se a Internet não se transformou em um refúgio’’, explica.
Bate-papo eletrônico A timidez era o grande empecilho para a professora Vitória Antunes, 36 anos, nos relacionamentos afetivos. A Internet surgiu como uma solução para este problema. Nos finais de semana, ela costumava passar horas, às vezes o dia todo, conversando nas salas de bate-papo eletrônico. Teve alguns namorados desta forma.
O mais sério durou um ano e sete meses. Morando em cidades diferentes, depois de um ano de conversa, os dois decidiram se conhecer pessoalmente. Vitória afirma que depois do encontro pessoal, a Internet se transforma apenas em um meio de comunicação, como o telefone, por exemplo. ‘‘O namoro deixa de ser virtual’’, diz.
Para ela, o segredo para ter relacionamentos verdadeiros, através da rede é escrever o que está sentindo, sem pensar muito. ‘‘Se a gente pensa antes de escrever acaba criando um personagem. Um tipo de pessoa que não é a gente mesmo’’, afirma. Hoje Vitória se diz decepcionada com os relacionamentos virtuais. ‘‘As pessoas não se mostram mais. Elas mentem muito nas salas de bate-papo e isto não me interessa’’, diz.
Pensando em casamento Seu atual namorado foi conquistado através das tradicionais paqueras em barzinhos. Já Ana Cristina Mishiatti, 30 anos, estudante de Biblioteconomia, está adorando se relacionar dessa forma. Há um ano ela se corresponde com José Luiz Oliveira, 35 anos, que faz doutorado em La Coruña, na Espanha.
Ela o conheceu em um congresso na Universidade Estadual de Londrina (UEL) em maio do ano passado. Como ele tinha que voltar para a Espanha, passaram a se ‘‘falar’’ pela tela do monitor. É a primeira vez que Ana Cristina se relaciona dessa forma e diz estar achando ótimo.
‘‘É possível conhecer a pessoa muito bem, como se fosse pessoalmente. Só o mecanismo é outro. Você tem que analisar a pessoa através do que ela escreve’’, afirma. ‘‘Dá para sentir as emoções da pessoa. É ótimo’’, conta.
Flávia Maria Martins, 39 anos, dentista, conheceu Angelo Antunes, 38 anos, advogado, pela rede. Separada há alguns anos, começou a navegar para fugir da solidão. ‘‘Londrina não oferece opções para pessoas mais velhas. Desanimei de sair’’, conta. O computador tornou-se seu companheiro.
No ano passado conheceu Angelo e marcaram um encontro. Para o namoro foi um passo. A relação, segundo ela, ‘‘vai muito bem, obrigada’’ e já estão pensando em casamento.

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