Amor sem limites
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quinta-feira, 08 de junho de 2006
Karla Matida<br>Reportagem Local 
A timidez do início logo se transforma em pura simpatia, e a pequena Rebecca, 3 anos, faz as honras da casa. Mostra o sofá que adora deitar, a mesinha e a cadeirinha que usa para fazer os desenhos e também o pai, o advogado Jairo Stutz. ''Aquele é o meu papai'', aponta a menina.
Para os mais desavisados da bela história de amor de Jairo e Gilsiany, a indicação de Rebecca é providencial. ''Muitas pessoas perguntam se ela é a netinha dele'', explica Gilssiany, 47 anos mais nova que o marido. Mas situações como essa não incomodam o casal.
Se atualmente a diferença de idade não preocupa o casal, o início do relacionamento foi conturbado. Viúvo, Jairo Stutz, 74 anos, não gostava nem de pensar em ter uma namorada, muito menos casar-se outra vez. Mas se a filha única não aceitava a solidão do pai, ele mesmo não via problemas em ficar sozinho no apartamento, já que viajava muito por conta da regência do coral da igreja. Foi numa dessas viagens para Paranavaí que conheceu Gilssiany, 27 anos.
Casados desde setembro de 2001, Jairo e Gilssiany refletiram muito antes de trocarem as alianças. Primeiro ficaram um ano apenas como amigos a distância. Mesmo quando descobriram que tinham sentimentos mais profundos ainda demoraram dois anos até iniciarem o namoro. Evangélicos, os dois passaram os tais dois anos orando e pedindo forças para Deus, pois sabiam que a diferença de idade poderia incomodar muita gente. ''Nós pedíamos que não tivéssemos dúvidas'', diz o casal.
Durante um ano, os dois se viram algumas vezes e se falaram muito pelo telefone. ''Ela me ligava para tirar dúvidas da faculdade'', lembra Jairo. Ele, que a princípio ''não admitia sentir o que sentia'', tomou a iniciativa e num dos telefonemas declamou o soneto que fez para Gilssiany: ''Eu te amo em segredo''. ''Não ofereci namoro, só pedi licença para dizer em versos os meus sentimentos'', lembra o poeta. Do outro lado da linha, a amada desatou a chorar. ''As minhas pernas tremiam e eu não sabia o que dizer'', lembra Gilssiany, que volta a se emocionar e derrama outras lágrimas enquanto nina o caçula Jairo Júnior, de 9 meses.
Para Gilssiany, o soneto foi o ''clic'' que a fez despertar. Naquela época ela namorava um rapaz da mesma idade. ''Mas não havia fidelidade de sentimento. E eu queria muito um homem de Deus e ele não era'', explica. Terminou o namoro e passou a se dedicar às orações. Quando os dois se sentiram seguros para oficializar o romance, as famílias foram as primeiras a saber. ''Minha filha ficou muito feliz por eu ter encontrado alguém e, para ela, o fato da Gilssiany ser mais nova foi algo bom. Ela me disse que estava feliz porque sabia que elas poderiam ser amigas. Minha filha disse que uma mulher mais velha poderia querer se transformar em mãe dela'', conta Jairo.
Já a família de Gilssiany apresentou mais resistência. ''Nem tanto pela diferença de idade. Mas eles achavam que como eu era mais velho poderia querer apenas uma aventura, uma fantasia com a filha deles'', lembra o advogado. Mas a aceitação foi rápida. Dois meses depois, eles já estavam noivos e o casamento foi logo marcado.
Seis meses após o casamento, Gilssiany engravidou. ''Foi natural, sem Viagra ou inseminação artificial'', garante Jairo. Há três anos nasceu Rebecca, ''aquela que une'', explica Gilsiany que escolheu o nome dos dois filhos. Jairo significa ''aquele que leva a luz''. Iluminada e unida, a família Stutz encontrou os ingredientes para a receita de sucesso do relacionamento. Para Jairo, a esposa é uma pessoa madura. ''Ela é nova, mas tem uma maturidade excepcional''. Para ela, o marido é um homem ''pra frente''. ''E temos muito respeito um com o outro'', ensinam.
''Mas não somos exemplo para ninguém. Queremos é que a nossa experiência seja uma motivação para que outros busquem a pessoa certa'', diz sabiamente Jairo. Mesmo casados, o clima de romance ainda segue entre o casal. ''Já escrevi mais de 30 sonetos para ela'', revela Jairo. Podem suspirar à vontade.


