Se na fase da adolescência o relacionamento entre pais e filhos já é naturalmente complicado, quando há uma situação de conflito o processo se torna praticamente inviável. Nos últimos 37 anos cuidando de famílias e seus percalços com adolescentes, o médico Içami Tiba – autor de ‘‘Quem Ama, Educa!’’ e ‘‘Adolescentes: Quem Ama, Educa!’’, entre outros – observa que o grande erro dos pais na educação dos filhos é que eles simplesmente ‘‘amam’’ os filhos e não exigem nada em troca. ‘‘Na fase de preparação, é preciso exigir que eles façam o que foi ensinado para que pratiquem e criem material para futuras negociações’’, esclarece.
  ‘‘Esse amor gratuito é um grande erro dos pais’’, acusa. ‘‘As falhas na formação familiar e escolar acabam criando pessoas despreparadas para serem cidadãos. Faltam valores para que as pessoas não abusem da sua posição de filhos, de pais, ou de situações de poder. Falo de valores superiores, que levam em consideração não as coisas materiais, mas as coisas que não se compram, como ética e disciplina.’’
  Na avaliação de Içami Tiba, o diálogo varia conforme a idade. ‘‘Crianças, mais do que os adolescentes, ouvem com os olhos, por isso deve-se ter o cuidado de se abaixar e estar na altura dos olhos delas. Deve-se pedir que ela olhe e preste atenção e não falar enquanto isto não estiver acontecendo’’, explica Tiba, autor de 16 livros.
  A experiência em trabalho terapêutico com crianças, adolescentes e suas famílias credencia Içami Tiba a ajudar a encontrar formas de atuação que facilitem o diálogo. Ele diz que ‘‘não é preciso gritar, não precisa bater, nada disso: o que precisa é ter autoridade’’. ‘‘Todo pai tem poder de pai, mas a autoridade de pai deve ser conquistada.’’ Como? O médico de 64 anos, que está entre os educadores mais requisitados do País, ensina que para ter autoridade é preciso ser coerente, constante e conseqüente.
  Ele revela sua teoria: ‘‘Ser coerente significa manter sempre a mesma linha de atitude. Por exemplo, se você ensina a seu filho que ele não pode bater em outras crianças é preciso exigir que a criança não faça isso. Todas as vezes que isso ocorrer deve-se intervir, constantemente, explicando que não se pode fazer isso. Não se deve permitir simplesmente ‘deixar para lá’. E precisa ser conseqüente. A criança precisa saber que terá uma punição e que deverá retratar-se. Aqui, só o pedido de desculpas não vale. Ela precisa corrigir com as mesmas mãos que erraram. Pedir desculpas e sair correndo não pode. Deve ir lá, ver se machucou o colega, tocar novamente em quem bateu’’.
  Para os adolescentes, o melhor é combinar e ter algo para trocar. ‘‘Baladas, por exemplo, é uma boa moeda de troca para se fazer ouvido por eles’’, explica Içami Tiba. ‘‘Deve-se ter um prazo final para executar o que foi combinado e um prazo de recuperação, senão ele fica desmotivado e sente-se punido o tempo todo’’, ensina. ‘‘Adolescentes gostam de cumprir ‘combinados’. Se ele tirar nota baixa e for proibido de sair no sábado, vai odiar os pais. Mas, se tiver combinado que passaria o fim de semana estudando caso fosse mal na escola, vai cumprir o trato.’’
  O médico é otimista e diz que, apesar das dificuldades e da falta de obediência dos filhos e dos erros cometidos pelos pais, sempre há chance de se reverter a situação, pois o ser humano se renova e é criativo, desde que haja motivação para isso. ‘‘Para os pais educarem seus filhos, devem apertar o botão ‘atualizar’ e compreender que o mundo mudou. Dessa forma verão que é necessário, sim, fazer exigências e cobrar dos filhos atitudes e tarefas para tornarem-se bons cidadãos’’, finaliza.

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