"Se você demora mais um pouco/Eu fico louco esperando por você/E digo que não me preocupa/Procuro uma desculpa/Mas que todo mundo vê/Que é ciúme, ciúme de você". O sentimento a qual se refere esta popular canção de Roberto Carlos está presente na vida de todos os seres humanos.
Porque sentir ciúme é, sim, tido como saudável e natural em qualquer relacionamento. É bem provável que ao ler essa reportagem você se lembre de alguma situação ou um conhecido que já protagonizou uma cena de ciúme. Porém, este sentimento também tem seus limites. E como tudo em excesso não nos faz bem, o ciúme também pode gerar situações negativas.
Mas até que ponto podemos considerá-lo "normal"? A psicóloga analítica comportamental Juliana Bordin, do Instituto de Psicoterapia e Análise do Comportamento (Psicc), em Londrina, explica que o ciúme é um amor necessário, revestido do "cuidar com carinho".
"Porém, quando ele passa a causar um sofrimento para a pessoa, é um indício de que algo não está bem. O próprio volume de brigas e discussões já é um sinal de que sozinho o casal não está dando conta de lidar com isso", diz.
Ela afirma que é comum os casais deixarem para resolver os problemas no "amanhã" e que quando se dispõem a uma conversa, geralmente é carregada de agressividade e raiva. "Acaba não tendo promoção nenhuma, ou seja, nunca se chega ao fim esperado", completa.
A psicóloga cita que teoricamente existem dois tipos de ciúme: o obsessivo e o delirante. No primeiro, o indivíduo entende que de certa forma exagera, que erra. Porém, não modifica a maneira de se comportar com o parceiro.
"Ele tem uma certa consciência, mas não se dá conta no momento em que se pega enciumado. Já o delirante, é mais comprometedor. Ele se apega a fantasias e pensamentos persecutórios, que vão e voltam geralmente com mais potencial de delírio", explica.
Quando o ciúme se torna patológico, a pessoa passa a perder a produtividade no trabalho, por exemplo, pois a todo momento está preso aos pensamentos, imaginando o que o parceiro está fazendo. "Ela passa a viver isso como algo concentrado e passa a sofrer, mas nem sempre ela entende que esse sofrimento é ruim", destaca.
A tendência do ciúme patológico, segundo a psicóloga, é o aprisionamento. O indivíduo tenta de alguma forma anular o outro para se satisfazer e, muitas vezes, apresenta certa dificuldade de se colocar no lugar do outro.
Vale lembrar que esse comportamento está mais relacionado com o ambiente e o formato educacional do que, por exemplo, com a genética. Segundo Juliana, o ambiente nos modela. "O contexto ambiental geralmente é proveniente dos cuidadores. Essas inseguranças estão alicerçadas ao modelo de educação e ao caminhar social ao longo do nosso desenvolvimento. Tudo isso pode vir a alimentar e potencializar o comportar ciumento", acrescenta.

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