O instinto das mamães do reino animal geralmente é citado para exaltar o cuidado que as mães humanas têm com seus filhos. Quem nunca ouviu a expressão 'brava como uma leoa' ou 'ela defende seus filhos como uma onça'? E tanto zelo pela cria não é apenas folclore nem característica dos animais selvagens.
De acordo com o médico veterinário Daniel Vivian, que atende no Pet Shop Cão Peão, bichinhos domésticos como cadelas e gatas também têm o instinto de cuidar de seus filhotes bastante apurado. ''Elas são muito carinhosas e zelosas. Se observarmos uma ninhada, a mãe está sempre limpando os filhotes, recolhendo aqueles que se afastam dela. Geralmente as fêmeas são extremamente defensoras'', afirma.
Mas isso não significa que elas dispensam a ajuda de humanos para garantir a sobrevivência e o bem-estar dos seus bebês. ''Assim como acontece com as mulheres, a cadela pode ter uma espécie de depressão pós-parto e matar os filhotes. A morte também pode acontecer se ela deita em cima de algum deles, sufocando o animal. Algumas vezes isso acontece nas primeiras crias, pela falta de experiência da mãe'', garante Daniel.
Outro problema típico de cães e gatos é a diferença entre os filhotes com relação ao tamanho e, em consequência disso, a dificuldade do mais frágil da ninhada em mamar. ''Sem conseguir se alimentar direito, ele não se desenvolve e vai ficando cada vez mais fraco, podendo ocorrer o óbito. As fêmeas não têm idéia de qual filhote não consegue mamar'', explica.
Para ajudar os filhotes a superar esses problemas, a presença de um humano é fundamental. ''O cuidado do dono é útil no dia-a-dia, para garantir a limpeza e a atenção básica. Mas o acompanhamento de um médico veterinário é muito importante para garantir uma gestação e um parto tranquilos, bem como o bom desenvolvimento dos animais. Na hora do parto, por exemplo, muitos donos tentam ajudar as fêmeas a parir e acabam machucando o animal e até matando algum filhote que estava mal posicionado'', diz o veterinário.
Antes mesmo do cruzamento, existe a necessidade de verificar se as vacinas e vermífugos da fêmea estão em dia. ''E depois do parto, nas 3, 6 e 9 semanas de vida, é preciso vermifugar os filhotes e a mãe novamente. A partir do 45º dia de vida inicia-se a sequência das três doses de vacina octopla e, por último, a vacina contra raiva'', ensina.
Durante esse período, que dura cerca de três meses, Daniel lembra que não é aconselhável expor os filhotes a outros animais e a locais estranhos. ''O ideal é esperar ainda uns 20 dias após a última dose da vacina para sair com o cachorro com segurança. Enquanto isso, eles devem ficar em casa, em um lugar limpo'', aconselha. ''Quando recebemos os filhotes do canil para a venda, eles ficam uma semana separados dos outros animais e fora da exposição para garantir a saúde'', comenta a proprietária do Pet Shop Cão Peão, Ana Paula de Almeida.
Terminadas as vacinas, chega a hora mais difícil para mãe e bebê: o desmame e a separação para a venda. ''Depois do parto, algumas cadelas não deixam ninguém chegar perto dos recém-nascidos e ficam bastante agressivas até mesmo com os donos. É recomendável tentar se aproximar da ninhada com cautela e, se isso não for possível, esperar até que a mãe se sinta mais segura e calma. Isso normalmente acontece quando os filhotes começam a se locomover pela casa e ganhar independência'', diz Daniel.
Mas mesmo estando mais separados, a retirada dos filhotes de casa para sempre causa nos animais uma certa tristeza. ''Eles sentem pela separação e, muitas vezes, a cadela pode ficar alguns dias sem comer e desanimada. Nessa hora, distrair o animal com brincadeiras, passeios e carinho ajuda bastante'', ensina o especialista. ''Tenho uma cadela chow-chow e ela acaba de ter sua primeira cria. Estamos separando os filhotes aos poucos e toda vez que os tiramos de perto, ela chora, late, fica desesperada'', conta Ana Paula.
Para os recém-nascidos, a separação também é difícil. A dica do veterinário para quem acaba de comprar um mascote é preparar um local agradável e acolhedor se preparar para alguns choros. ''Pegar no colo o tempo todo para cessar o choro não é bom. O animal fica mal acostumado e mimado, podendo se tornar um cão agressivo no futuro'', afirma.

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