São quatro amigos João, Luiz Henrique, Fernando e Guilherme , na faixa dos 15 e 16 anos, que se conhecem há muito tempo. João e Luiz Henrique, especialmente, têm tradição familiar de amizade. Suas avós foram amigas, bem como suas mães. ''Nós'', comenta João, referindo-se a Luiz Henrique, ''somos amigos desde que nascemos.'' Colégio e interesses comuns aproximaram os quatro. Convivência afetuosa, ao vivo e em cores, os mantém juntos.
Todos ''navegam'' pela Internet e gostam de bater papo com amigos a distância. Guilherme, inclusive, já recebeu na cidade dois amigos, conquistados via on line. Um veio dos Estados Unidos e outro de Ponta Grossa. ''No começo'', comenta Guilherme, ''meio que assusta esse contato, mas depois fica normal.'' Para Fernando, comunicar-se via Internet é uma boa pedida, por uma razão muito pessoal. Seu pai e sua irmã estão no Canadá e todo fim de semana, com computador munido de câmera e microfone, pode vê-los e bater papo, em tempo real, com um gasto muito menor do que teria se optasse por uma conversa por telefone.
Hoje, os quatro dedicam cerca de 1 hora, em média, de seu tempo diário para a ''navegação''. ''A gente vai ficando mais velho, aumentam as responsabilidades'', pondera Luiz Henrique, ''e acaba perdendo o interesse.'' João chegava a passar a noite na Internet, mas ficava o dia seguinte inteiro com sono, sem vontade de fazer as coisas. Por essa e outras razões, os quatro são unânimes em dizer que vale mais a pena deixar um pouco de lado o mundo virtual e procurar atividades mais interessantes para fazer no mundo real.
Esse mesmo raciocínio é aplicado na busca de amizades. ''Há muita gente introvertida'', avalia Fernando, ''que procura a Internet como fuga, para não ter de se expor muito.'' João é mais radical e aconselha, a quem faz da Internet o único meio para se relacionar, ''a sair dessa, antes que vicie.'' Guilherme tem experiência sobre o assunto, porque chegou a ficar viciado em ''jogos on line'' e se arrependeu depois. ''A gente perde a noção de tempo e de realidade'', avisa, ''e pode acabar confundindo as coisas.''
Em relação a ''namoro virtual'', a opinião dos quatro ainda é mais definitiva: ''não funciona de jeito nenhum'' ou ''não tem graça alguma''. Pode dar certo, dizem, se além do contato via Internet, houver a possibilidade de um encontro real depois. ''Agora, ficar namorando só via Internet, nem pensar'', avalia Guilherme, ''se for assim, dá logo um beijo no monitor!''
Para eles, nada melhor do que a amizade no mundo real. ''O amigo é aquele em que a gente confia'', afirma João, ''e com quem a gente pode sempre contar'', complementa Fernando. ''Amigos'', opina também Luiz Henrique, ''são aqueles com quem a gente gosta de sair, de se divertir.'' E para usufruir disso tudo, só de corpo presente, olho no olho, com afeto. Como diz Fernando, ''conviver é muito melhor.'' (A.S.)

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