Amigos sempre amigos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de julho de 2002
Karla Matida <br>Reportagem Local 
Não é por acaso que a enorme turma de amigos que ilustra a capa desta edição da Folha da Sexta foi escolhida para a homenagem ao Dia Internacional do Amigo que será comemorado amanhã. Eles se conheceram no maternal e de lá para cá já são quase 20 anos de amizade. Para quem tem apenas entre 23 e 24 anos, esse tempo significa toda uma vida juntos.
Dois deles são casados, um já tem filho e um outro pimpolho está a caminho. Depois que entraram na faculdade, os encontros se tornaram menos frequentes. Mas isso não diminuiu os fortes laços entre China, Beauty, Tiffany, McGyver, ou melhor, Fabiano, Ricardo, Fabrício, Rogério, Alessandro, Roberto, Eduardo, Keller, Mario, Marcos e Renata, que não é ''bendita a fruta'' no clube do bolinha porque ainda tem a Carina e Evelise. As duas não puderam comparecer ao encontro marcado para a entrevista, que também serviu para muitos colocarem a conversa em dia e lembrar de muitas histórias.
Aliás, nem mesmo o dono da casa onde aconteceu a reunião acabou chegando a tempo para o click da capa. Há sete anos morando em Curitiba, Fabrício Spigolon tenta vir para Londrina pelo menos uma vez por mês. E como acontece desde a infância, ele acaba servindo de referência para os amigos, que continuam se reunindo em sua casa. ''Quando eu venho pra cá, ligo pra todo mundo e a gente se encontra'', diz.
''Mesmo quando ele (Fabrício) não está em casa a gente acaba aparecendo'', entrega a turma. Com uma casa sempre receptiva (com os pais dando o maior apoio, mesmo depois de muitas e muitas vezes em que viram a geladeira esvaziar depois de uma ''visitinha'') e perto do clube onde o grupo treinava vôlei e basquete, Fabrício virou o anfitrião de plantão (mesmo ausente). Naquela época, o portão ficava sempre aberto e o entra e sai de bicicletas acabou facilitando a vida de alguns ladrões mais espertinhos.
''Dia Internacional do Amigo? A gente comemora todos os finais de semana'', garante Ricardo Gregório, tido pelos amigos como o mais divertido da turma. ''Mas ele também é o que dá mais trabalho'', contam. Mais detalhes os amigos não entregam tipo os escolhidos como o ranzinza, o folgado que é para não causar brigas. Bate na madeira atrapalhar a amizade. Mas a turma acaba deixando escapar que o Saito (Rogério) e o Amâncio são sempre os mais atrasados.
Rola muita briga? ''Faz parte'', brinca Mário Yokozawa, que avisa que tudo se conserta na mesma hora. Ou seja, nada de ressentimentos. Talvez seja essa uma das receitas de tão longa amizade.
De acordo com Fabiano Tommasino, a amizade entre eles foi se consolidando com o desenrolar dos eventos. ''Começamos a sair juntos, a namorar na mesma época'', lembra. Depois dos treinos de basquete e vôlei (os amigos viajavam juntos para competições além das fronteiras pés-vermelhas), vieram fases diferentes. Jogaram cacheta, se divertiram com a sinuca. E agora? ''Agora é a fase de se preocupar com o futuro, é hora de crescer'', explica Renata Fuganti.
''A gente sente falta da época do colégio, quando não fazia nada e achava que fazia muito'', conta Eduardo Ferrarezi, o primeiro ''papai'' entre os amigos.
Entre os muitos códigos da turma coisas de quem convive há quase 20 anos um que vira e mexe é utilizado é quando alguém começa a namorar sério. ''A gente fala que fulano 'faleceu', explica Fabiano. Isso porque o ''amigo-apaixonado'' tende a se afastar do convívio da turma por uns tempos.
Será isso um leve temor de alguém dizer ''ou eles ou eu?'' coisa que, ufa, nunca aconteceu. Mas, e se acontecer? ''A nossa amizade está acima de tudo'', garantem.
''Faz mais ou menos uns quatro anos que a gente não sai mais sempre todos juntos'', conta Alessandro Batistella. ''Tem gente que trabalha, sabe?!'', brinca, com aqueles que ainda estão na faculdade. Agora são as ocasiões especiais, como formaturas e casamentos, que acabam reunindo a turma. Mas, em tempos de celular à mão, o contato é direto.
''A gente sempre se liga para combinar alguma coisa'', lembra Keller Yorinori. Ou então, ''para tirar sarro de alguém se o time dele perdeu'', explica o corintiano Marcos Bzuneck, que afirma estar melhor entre os amigos quando o assunto é futebolístico.
E não é que a turma forma um time inteirinho e ainda sobram alguns reservas? Talvez seja uma idéia para a próxima festa à fantasia que, por sinal, o grupo adora. Porque amigo que é amigo vai fantasiado em bloco e com coreografia. Numa dessas festas, eles pararam tudo ao chegar gritando feito o ator Mel Gibson no filme Coração Valente.
E por falar nisso, com tantas histórias vividas juntos, a amizade dessa turma até que renderia um filme. Tipo a sua com seus amigos, suas amigas. Já pensou nisso? n


