Os neurologistas Breno Ferraz, 53 anos, e Marcos Antônio Dias, 36 anos, têm uma história em comum bastante longa. O pai de Marcos foi padrinho de casamento de um dos filhos de Breno. Os dois se conheceram em 1982. ''Nossas famílias eram amigas e são até hoje. Quando o Marcos resolveu fazer neurocirurgia, ele me procurou para saber qual área seria mais interessante em relação ao mercado de trabalho'', conta Ferraz.
A primeira dica seria a ajuda que um médico daria ao colega iniciante, mas as outras demorariam um pouco para acontecer. Nascido de Santa Catarina, Marcos terminou a faculdade e resolveu fazer sua especialização na França. ''Meu objetivo era voltar para Florianópolis e trabalhar lá, mas desde o início vinha esporadicamente a Londrina para trabalhar e acompanhar o trabalho do Breno'', lembra Dias.
A mudança definitiva para a cidade, segundo ele, aconteceu aos poucos. ''Fiquei um ano me hospedando na casa do Breno enquanto minha mulher estava em Florianópolis trabalhando. Eu não podia simplesmente abrir um consultório e ficar aqui. O apoio dele, me apresentando às pessoas e nos hospitais e ajudando com a burocracia, foi fundamental'', garante.
''Ele chegou aqui preparado para trabalhar e eu o convidei por isso, porque sabia que ele era competente. Quando o Marcos estava na França, eu já pedia algumas informações para ele. Outra vantagem para mim é que ele atua em uma área que eu não domino muito'', justifica Ferraz.
Com um ano e meio trabalhando em parceria, ele diz que só obteve vantangens com a decisão. ''Atendemos no mesmo local, mas cada um tem seus clientes. Mesmo assim, quando um de nós não pode atender, o outro dá cobertura. Hoje me sinto mais livre e menos pressionado. Trabalhar em conjunto nessa área é muito bom porque podemos dividir as responsabilidades'', afirma.
''Somos diferentes. Eu tenho mais o ímpeto de operar e o Breno muitas vezes me mostra que é melhor esperar. Não competimos, trocamos opiniões e visamos sempre o bem-estar do paciente'', completa Marcos. ''Não me sinto ameaçado por ele, mas sua presença me faz sair da situação de conforto. O profissional mais novo desafia o mais velho quando vem com novas idéias'', diz Ferraz.
Os dois garantem que nem se lembram da diferença de idade, seja dentro ou fora do consultório. ''Nós sempre nos demos muito e continuamos assim. Somos amigos, além de parceiros de trabalhos. A idade não importa'', confessa Dias. ''Só percebemos a diferença na hora de jogar squash'', brinca Ferraz. (H.F.)

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