Amigo de todas as horas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de maio de 2001
Vivian Ávila Pavan Especial para a Folha da Sexta 
Colado no balcão de uma clínica veterinária, um pequeno cartaz traz a foto de um cãozinho e um pedido: Me leva e você será saudado toda vez que chegar em casa por alguém que o ama e crê não poder viver sem você. Em alguns momentos lhe ensinarei a acreditar nos seus semelhantes; em outros, a brincar. Nunca reclamarei, ainda que a saudade seja imensa, pelo contrário, na sua ausência serei um alarme vivo e um policial que não dormirá em serviço. Apenas precisarei de muito amor, algum tempo disponível para brincarmos e nos divertirmos juntos, ração, vermífugo, um lugar confortável para dormir e algumas visitas ao veterinário ao longo da minha vida. Interessado?
O pequeno cão poderia estar a um salto do seu novo lar se o leitor do cartaz, tal qual uma legião de pais, contabilizasse incontáveis pedidos do filho: Pai, mãe, me dá um cachorrinho? Para a psicóloga clínica Maysa Dias Ayres, a convivência entre crianças e animais de estimação é uma oportunidade rica de experiências. Ser biopsicossocial, o homem deve desenvolver recursos de relacionamento ao longo da sua vida, observa.
Ela explica que o contato com os animais possibilita à criança conhecer sobre a natureza dos próprios sentimentos. O cão, o gato de estimação, representam um objeto de expressar amor, e, o que é melhor, diferente do brinquedo, o animal reage à criança, proporcionando momentos de puro prazer, possibilidade de grande apego e, também, o risco da perda. A relação instigará sua curiosidade e observação natural sobre o que mais lhe interessa, como nascimento, crescimento, diferenças sexuais, vida e morte, uma amostra do próprio mistério da vida, complementa.
Mas, de acordo com Maysa, antes de decidir pela aquisição do bichinho, os pais precisam estar cientes e dispostos a acompanhar a criança no que pode vir a ser uma intensa aventura. A criança, ressalta ela, precisará aprender a proteger e cuidar do bem-estar do seu animal. Quanto menor ela for, também menor e mais instável será sua capacidade de prezar pela saúde e integridade de seu animalzinho, alerta.
Como a criança ainda integra o primeiro modelo de cuidado que os pais têm com ela, a tendência é que ela entenda cuidar do animal segundo o modelo humano que está recebendo, o que nem sempre é adequado ao animal, diz.
Mais amados Em 15 anos de profissão, a médica veterinária Elisa Matie Nishi constata uma mudança positiva na relação das pessoas com os animais. Segundo observa, hoje os animais de estimação são mais amados, há um cuidado maior com alimentação e saúde de forma geral. Há um conceito de que são seres vivos e são importantes. Não é só arranjar um animal e abandonar no fundo do quintal, considera.
Papagaios, hamsters e coelhos fazem parte da lista de mascotes adotados por um grande número de crianças e adultos. Latidos e miados, contudo, continuam liderando a preferência na hora da escolha. Elisa observa que antes da aquisição convém obter informações sobre as diversas raças de cão e gato. Considerando o temperamento e a estrutura dos cães, existem raças que se dão melhor com crianças; as que se adaptam bem em pequenos espaços; outras que são boa companhia para idosos.
Check-up Um exame clínico do bicho é sempre indicado, aconselha veterinária. É ele que vai apontar o estado geral do animalzinho, se está anêmico, magro, com verminose, se têm ectoparasitas (pulgas, carrapato e piolho, entre outros). Vermífugos devem ser aplicados pelo menos duas vezes ao ano. Cães e gatos que têm o hábito de andar pelas ruas devem receber um número maior de doses.
O cuidado com a vacinação é outro aspecto importante visando a proteção dos animais contra doenças bastante comuns, como a Parvovirose e Cinomose que atingem os cães, e a Rinotraqueíte Felina, entre muitas outras. Em sua clínica, a veterinária adota a aplicação da primeira dose da vacina octupla assim que cães completem 45 dias de vida. Para responder bem à vacina, o animal deve estar saudável, livre de vermes, orienta.
Outras doses da vacina são prescritas a cada 21 dias, até que os cães completem quatro meses e meio. As vacinas anti-rábica e contra a Leptospirose também fazem parte do calendário de vacinação.
Para os gatos, a veterinária cita a vacina quíntupla felina. A primeira dose deve ser aplicada aos dois meses; a segunda, no mês seguinte. Aos cinco meses, gatos devem receber a vacina anti-rábica, sendo que tanto a anti-rábica, quanto a quíntupla felina devem ser dadas anualmente.
Além das vacinas, uma boa providência, lembra Elisa, é manter os filhotes o maior tempo possível dentro de casa até quatro meses de idade. Até que atinjam um ano de vida, mesmo tendo recebido as doses de vacina, é aconselhável evitar passeios por onde circulem muitos cães e gatos, como o Zerão e as feiras de animais.
Ração no prato Atenção também com a alimentação. E aqui um lembrete: alimento de cachorro e gato é ração. Segundo Elisa, a ração é mais segura, balanceada, tem tudo o que o animal precisa para se desenvolver, de acordo com a fase da vida.
O mercado é pródigo no trato: há ração para desmame, cães de pequeno e grande porte, cães adultos, obesos, para aqueles que consomem muita energia, e para os já idosos. Os gatos tipo persa têm ração própria para melhorar a pelagem e existe, também, esse tipo de alimento com formato apropriado para facilitar a apreensão da comida.
A responsabilidade quanto à decisão de comprar um animal de estimação é também destacada pela veterinária. Proprietária de uma petshop, Elisa observa que a norma da loja é não aceitar a devolução do animal adquirido simplesmente porque a criança ou a família não quer mais o bicho. O contrato de compra do animal, ressalta Elisa, prevê a devolução do dinheiro ou outro animal somente se num prazo de sete dias, após a data da compra, o animal apresentar um quadro de doença viral, constatado através de exame.


