''Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia é que era mulher de verdade''. Já na década de 30, Ataulfo Alves e Mário Lago, quando criaram a famosa canção pediam a volta daquela mulher submissa, dedicada aos trabalhos domésticos e que não reclamava de nada.
Sinal de que a modernidade feminina começava a colocar as manguinhas de fora? Talvez! Mesmo diante de novos hábitos e costumes, a Amélia do século 21, aquela que trabalha fora e tem uma importante contribuição no orçamento familiar, não abandonou o papel de dona de casa. Ela ainda busca simplificar os processos que fazem parte do seu dia-a-dia.
Casas enormes, jardins imensos, manutenção da piscina e monitoramento de uma lista infindável de serviços caseiros estão fora da agenda feminina. A mulher de hoje foge das tarefas chatas para curtir as boas coisas da vida. Quer tempo para ela. Pelo menos foi o que revelou a pesquisa ''Mulheres do Brasil'' feita recentemente pela empresa CPM Research para analisar o cotidiano feminino.
Simplificar então, significa morar num local de fácil acesso, próximo a escolas, supermercados, lojas e hospitais, pois permite que se cumpram todos os compromissos e sobre tempo para curtir a família, os amigos, e ainda se dê ao luxo de uns momentos de lazer. Por isso, a localização é o item que mais influencia na compra de um imóvel.
Mudanças De acordo com a pesquisa, por mais saudades que a Amélia desperte, as mulheres não estão dispostas a deixar de trabalhar para voltar a ser apenas donas de casa. ''O caminho que a mulher de hoje procura leva em conta os espaços e o tempo, mas sem alterar seu habitat atual''.
A funcionária da Sercomtel Vera Lúcia Frasson Celino, 39 anos, concorda com o resultado da pesquisa e se identifica com o perfil feminino traçado pelo estudo. Além da casa e do trabalho, ela ainda canta no coral da empresa, e é voluntária em programas sociais da Sercomtel e da igreja do bairro onde mora.
Em busca de mais praticidade, Vera e o marido optaram por trocar a casa em que moram por um apartamento. Atualmente ela diz que já controla as tarefas diárias e conta com o apoio do marido e da filha de 18 anos. Mas confessa que ''lavar as calçadas e cuidar do jardim sempre complicaram o nosso cronograma''. Vera deve se mudar para o novo lar antes do final do ano e, já abusando da ''folguinha'' que espera ter, faz planos de voltar a estudar. ''Pretendo fazer mestrado ou MBA.
A vida moderna, na opinião da assistente social Eliane de Aguiar Philot Jacomel, 29 anos, exigiu mudanças no comportamento feminino. ''Um pouco mais de folga no orçamento familiar exige a nossa contribuição''. Apesar de não estar trabalhando desde que nasceu seu único filho, João Vitor, 5 anos, Eliane pretende retornar ao mercado no início do próximo ano, por isso já organiza um novo ritmo de vida. Até o final de outubro, a família se muda para um apartamento e ela mesma cuidará da rotina doméstica diária, deixando os serviços mais pesados para serem feitos a cada quinzena por uma diarista. O casal teme que uma empregada fixa interfira na educação de João Vitor.
Morar bem, ''próximo de tudo'', segundo ela, é fundamental para que a pessoa tenha uma boa qualidade de vida, e foi esse o fator determinante na escolha do apartamento. ''Além da localização avaliamos o lazer que o condomínio poderia nos oferecer; afinal nosso filho é nossa atual prioridade'', afirma. n

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