Há alguns anos, ser professor era posição de prestígio na sociedade. Os salários eram bons e a sociedade respeitava e reconhecia o trabalho desse profissional que tinha como tarefa transmitir o conhecimento. Com o declínio da educação no País, as coisas mudaram muito. Tanto que a maioria diz que ser professor hoje é uma questão de paixão. Baixos salários, acúmulo de funções e de carga horária são comuns na rotina dos mestres.
Outro problema que dificulta ainda mais o trabalho é a falta de disciplina e de respeito por parte dos alunos, que não vêem mais nos professores as figuras temidas de antigamente. O medo e a obediência deram lugar a uma intimidade excessiva, que permite aos jovens dizer o que bem entendem e não escutar aquilo que não lhes agrada. Junta-se a isso a falta de valores e de acompanhamento por parte dos pais em casa e está armada a dura realidade das salas de aula.
''A reclamação mais comum dos professores é que os alunos respondem como se estivessem falando com um colega de classe, sem respeito e noção de hierarquia'', diz a diretora auxiliar do Colégio Estadual Vicente Rijo, Cleise Mari Horn. ''As conversas, a falta de material e de atenção às aulas e casos de alunos de dormem na sala de aula são os motivos mais comuns para desentendimentos e broncas dos professores'', completa a assessora de psicopedagogia do Colégio Marista, Rosane Gomes.
As causas para o desrespeito são várias, segundo os professores. ''Certos valores vêm de casa e os pais não se preocupam mais com isso ou não têm tempo para conversar com os filhos e educar. Muitos nem sabem que o filho é como é na escola. Não acreditam quando revelamos que são mal-educados'', diz o diretor geral do Vicente Rijo e professor de história José Donizete Brandino. ''Quando a gente era aluno, havia um respeito e uma distância dos alunos com os professores que não existe mais. A gente via o professor como pai e mãe da gente'', comenta a professora de português Shirley José Fernandes.
A sociedade de consumo e a idéia do constante prazer também são apontados como motivos para o desinteresse dos alunos. ''Hoje aprendemos que temos que ser felizes sempre e fazer só aquilo que nos agrada. Estudar não é algo gostoso na maioria das vezes e os professores vivem a ditadura do aluno, de agradar o tempo todo'', explica Donizete. ''Os pais trabalham o dia inteiro para dar coisas caras aos filhos e esquecem de educar. Os jovens são carentes, não têm ninguém que diga o que eles podem e não podem fazer. E toda criança precisa disso, de alguém que coloque limites, faça cobranças, estabeleça uma rotina, com hora de estudar, de dormir, de ver TV'', lembra Rosane.
As discussões entre alunos e mestres sempre existiram e dificilmente serão eliminadas, uma vez que estamos tratando de relações humanas. O que surpreende quando conversamos com os professores é o aumento do desrespeito e a mudança do estereótipo de aluno que o comete. ''Antes eram mais os meninos que brigavam e eram mal-educados; hoje, as meninas estão quase iguais'', garante a diretora auxiliar Cleise Horn. ''Os alunos de 8 série e 1º ano do segundo grau são os mais difíceis porque estão na idade da contestação, de achar que são adultos e não precisam ouvir ninguém'', comenta a psicopedagoga Rosane Gomes.

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