Alopécia pode levar à perda definitiva dos cabelos
A recepcionista Carla, 18 anos, nunca soube o que é usar os cabelos para seduzir, para se sentir mais bonita ou criar um estilo próprio. Ela nasceu com uma doença que impede que os fios cresçam: alopécia universal. Desde que eu nasci, meus cabelos nunca cresceram. Eu tenho uma penugem em toda a cabeça, mas os fios não se desenvolvem. A médica me disse que sou um caso muito raro. Já fiz de tudo e nada funciona, diz.
Segundo a dermatologista Lígia Márcia Mario Martin, a alopécia universal é bastante rara. Ela afirma que a forma mais comum da doença é a areata, que acontece apenas na parte superior da cabeça. Geralmente, a doença surge em mulheres entre 25 e 30 anos, mas também pode acontecer em pessoas mais novas. O cabelo, que antes era normal, vai afinando, deixa de crescer e começa a sumir na parte alta da cabeça. Isso é muito difícil para uma mulher, que tem no cabelo um grande fator de feminilidade, explica.
As causas do problema, de acordo com a especialista, podem ser genéticas ou hormonais. Quando é hormonal, a alopécia pode vir acompanhada de acne, mas é mais comum a razão ser genética. Já a alopécia universal pode ter causa em um processo auto-imune do organismo, garante.
Para Carla, a falta de informação das pessoas sobre as causas de seu problema já lhe causaram transtornos. Muita gente tem preconceito, mas eu explico o que é, que não é contagioso. Antes, eu escondia o problema dos outros; hoje, convivo bem e me aceito como sou. Claro que não saio de casa sem a prótese de cabelo ou peruca, mas não escondo o problema dos amigos e procuro levar uma vida normal. Não estou fazendo nenhum tratamento, mas ainda tenho esperança de um dia ter cabelo, comenta.
Tanto para a alopécia universal como para a areata, Lígia afirma que existe tratamento, geralmente com o uso de medicamento tópico ou oral e também acompanhamento psicológico. O paciente precisa usar os remédios para sempre e o psicólogo ajuda a superar o preconceito e melhorar a auto-estima. Mas é importante procurar ajuda logo no início porque os fios perdidos dificilmente voltam. O tratamento serve para impedir a progressão da doença, lembra. (H.F.)





