Rosângela Vale
Na noite da última sexta-feira, o Centro de Estudos Superiores de Maringá (Cesumar) ganhou uma movimentação diferente. Alunos e pessoas da comunidade lotaram o pátio da faculdade, ao redor da passarela montada pela turma do curso de moda. Entre o público, drag-queens e integrantes de um circo mambembe davam um tom de ‘‘mundo mix’’ à festa. Os desfiles ali apresentados encerraram a programação do ‘‘Moda em Ação’’, que durante três dias contou com palestras e círculo de debates, além de uma pequena feira onde empresários locais e alunos exibiram seus produtos, de bijuterias a peças de decoração.
A idéia partiu de Orlando Brandão, coordenador do cursos de moda do Cesumar e da Unip, em São Paulo. Lá, ele realiza um evento similar há dez anos, batizado de ‘‘Jornada de Moda’’. Discutir e mostrar as atividades didáticas de uma área tão nova no Brasil – em Maringá o curso tem apenas um ano – é uma iniciativa louvável e imprescindível, já que a região pretende deixar de ser pólo de confecção para se tornar referência em criação de moda.
Quem assistiu ao desfile ‘‘Álbum de Família’’ pôde ter uma idéia do potencial criativo que já começa a ser estimulado no primeiro ano do curso. Na disciplina Laboratório de Criação, os alunos fazem uma espécie de terapia em grupo, resgatando a história familiar de cada um, a trajetória de seus antepassados, o significado do sobrenome que carregam. A emoção e as descobertas vividas durante esse processo se transformam, então, em roupas conceituais.
Tragédias, separações, paixões e lembranças foram traduzidos em tecidos específicos, materiais alternativos, silhuetas e cores. Alguns modelos se aproximaram do folclórico, outros revelaram forte dose autoral. Entre os trabalhos apresentados em sala de aula, 12 ganharam a passarela. De acordo com Ivana Jambersi, docente da disciplina, os critérios utilizados para a seleção foram criatividade, inovação e interferência nos materiais.
No geral, o saldo foi positivo. Tanto que uma das alunas vai representar o Cesumar em um evento de moda que acontecerá em São Paulo. Cristina Agostinho ganhou a chance com três modelos diáfanos e transparentes, simbolizando sonhos e lembranças ao longo de sua existência. Mais do que revelar talentos, entretanto, a experiência do laboratório serve para que o futuro profissional conheça a si mesmo e, assim, descubra o seu próprio caminho de criação. É isso que vai fazer diferença no mercado de trabalho.Alunos do curso de Moda do Cesumar resgatam suas histórias pessoais no desfile ‘‘Álbum de Família’’
Fotos: Rodrigo RafaelVestido sanfonado em fralda cinza, representando os altos e baixos da família: tristeza, separação e tragédia na criação de Roseli Ribeiro da SilveiraLook de Cristina Agostinho: sonhos e lembrançasA delicadeza do vestido de crepe e a rusticidade do xale de sisal traduzem o romance proibido dos antepassados espanhóis. Por Maria Luzinete Sifuentes da SilvaCetim, estopa e transparência simbolizam a alegria e a paixão dos imigrantes italianos no modelo de Loeci de Fátima ScapinelloA página em branco no álbum da família, por Maria Afonsina da Rocha CastroCouro e plástico: dificuldades e esperança no futuro. De Eliane Herreiro

mockup