A gravidez é um processo fisiológico normal e dela não se espera complicações. Uma barriga linda (sem estrias) e um bebê saudável nascendo depois de nove meses é o sonho de todas as mulheres. Idealmente, a gravidez deveria ser programada e não acidental, pois os problemas podem começar muito antes da concepção e podem expor a mãe e o bebê a riscos desnecessários.
  São condições de risco gestacional o diabetes, a hipertensão arterial, a obesidade, a desnutrição, doenças renais crônicas (muitas vezes sem diagnóstico), o tabagismo, o uso de drogas ilícitas e o consumo exagerado de álcool.
Pressão alta A hipertensão arterial na gestação pode ser detectada em todas essas condições patológicas ou anômalas citadas acima e agrava-se quando já ocorre antes da gestação. Pode ainda aparecer sem a menor evidência de patologias prévias por volta da 20ªsemana de gestação, com inchaço de mãos e face, associada à perda de proteínas na urina e a possibilidade de complicações graves como a eclâmpsia.
  ‘‘Os cuidados nutricionais da gestante hipertensa devem ser iniciados bem antes da concepção, no sentido de atingir e manter um peso ideal, evitando a obesidade’’ afirma a endocrinologista e nutróloga, Ellen Simone Paiva, do Centro Integrado de Terapia Nutricional (Citen).
  Se a hipertensão arterial já existe antes da gestação, ela deve ser cuidadosamente compensada, permitindo estabilidade hemodinâmica e metabólica para garantir o fluxo sangüíneo placentário e evitando a progressão de lesões que possam colocar em risco a gestante e o feto, bem como a saúde da mãe após o parto.
  São fundamentais as consultas pré-natais quinzenais, com a orientação do médico obstetra, para acompanhamento da gestação, cuidando do desenvolvimento fetal e da saúde da mãe, uma vez que o agravamento das alterações metabólicas ocorre à medida que a gestação evolui. Segundo Ellen ‘‘o papel da equipe multidisciplinar é fundamental para o desfecho favorável da gestação. Integram esta equipe o ginecologista, o médico nutrólogo, o nutricionista e o psicólogo, todos com o objetivo de orientar a gestante em relação à terapia nutricional e assegurar as boas condições metabólicas da gestação e do parto’’.
Orientação nutricionalA orientação nutricional da gestante hipertensa começa pelo cálculo das calorias a serem consumidas diariamente, que não diferem da gestante com pressão arterial normal. As necessidades calóricas variam de acordo com a idade, o peso pré-gestacional, o nível de atividade física e o estado nutricional.
  A maioria das mulheres na idade adulta necessita ingerir entre 1800 e 2200 calorias/dia, mesmo sem estarem grávidas. Durante a gestação, esta média se mantém no primeiro trimestre. ‘‘Hoje, já sabemos que a gestante não precisa comer por dois porque isso pode levar a um ganho excessivo de peso, assim como não deve tentar perder peso durante a gestação, pois pode ficar desnutrida, comprometendo o desenvolvimento fetal’’ alerta a endocrinologista.
  Durante a gestação, a partir do segundo trimestre, a mulher, em média, aumenta em 300 calorias por dia o que consome. No terceiro trimestre, o aumento é de 500 calorias/dia. Isso teoricamente produz um ganho de peso materno de 10-12 quilos até o término da gestação nas mulheres com peso pré-gestacional normal, 12-14 quilos naquelas abaixo do peso ideal e no máximo 9 quilos naquelas com sobrepeso ou obesas.
Pirâmide alimentar A distribuição dos alimentos na dieta da gestante hipertensa segue as recomendações das gestações normais e tem como base a pirâmide alimentar, que é um guia que representa um dia alimentar. Trata-se de instrumento visual simples e prático, que oferece conceitos alimentares importantes como consumir grande variedade dos alimentos, alertando para a moderação com alguns deles (gorduras e açúcares) e obedecendo a uma proporcionalidade (consumindo mais os alimentos da base e menos os do ápice).
Hipertensas e o sal O sal não deve ser liberado durante a gestação, pois dificulta o controle da hipertensão arterial, podendo mesmo agravá-la. Isso ocorre porque ele potencializa a retenção de água pelo organismo. As recomendações ficam em torno de 2-3 gramas de sal por dia e isso corresponde a menos de uma colher de chá de sal, incluindo o sal dos alimentos e aquele utilizado no preparo deles. Esse item da dieta é geralmente o mais difícil para ser seguido uma vez que alimentos industrializados são ricos em sal (2 fatias de presunto = 1,5g de sal; 6 bolachas de água e sal = 0,85g de sal).
Importância do cálcio A suplementação de cálcio ainda causa muita discussão, mas precisamos nos assegurar do consumo alimentar mínimo de 3 porções de laticínios por dia (1 porção = 1 xícara de leite ou de iogurte desnatados ou 1 fatia de queijo branco magro) para garantir o consumo de cálcio adequado pela gestante hipertensa e por aquelas com história de déficit alimentar de cálcio. ‘‘A suplementação de 1-2g/dia pode ser realizada, pois têm embasamento científico’’ defende Ellen.
Outras recomendações Outras medidas são também importantes como coadjuvantes da terapia nutricional da gestante hipertensa. A interrupção do tabagismo, a redução do consumo do álcool e a implementação de atividade física aeróbica monitorada são partes fundamentais do tratamento. (Fonte: Citen, fone (11) 5579-1561.

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