Alimentação - À mesa com segurança
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quinta-feira, 27 de março de 1997
Rosângela Vale 
Milton DóriaNa maioria das vezes, os surtos de intoxicação alimentar são causados por microorganismos, diz a doutora em Ciência de Alimentos Adelaide BeleiaUma dieta saudável não depende apenas de um cardápio equilibrado, com todos os nutrientes necessários. Mais do que comprar os alimentos certos, é preciso saber selecioná-los e conservá-los adequadamente. Caso contrário, os benefícios acabam se transformando em agressões ao organismo.
Frutas, verduras, legumes, carnes e peixes denunciam seu estado pela aparência. Por isso, é preciso examiná-los atentamente antes de levá-los à mesa. Para hortaliças e frutas, vale o critério do quanto mais bonitos, melhor. Despreze as folhas murchas e as cascas esburacadas.
O consumidor tem o direito de comprar alimentos bonitos, de aspecto apetitoso, diz Adelaide Beleia, doutora em Ciência de Alimentos e professora da UEL, contrariando a crença de que frutas e legumes feios seriam os mais indicados para o consumo, por não terem sido submetidos a tratamentos com produtos químicos. Os pesticidas fazem parte de uma série de agressões a que somos submetidos atualmente. É só mais uma delas. Sem essa tecnologia, a produção de alimentos não teria acompanhado o aumento populacional e não haveria uma dieta tão diversificada como a de hoje, justifica.
Arquivo Folha
Segundo ela, existe um período de carência para a aplicação de pesticidas antes da colheita, mas é impossível saber se o produtor respeitou ou não essa regra. Não há como detectar isso só pela aparência do produto, ressalta. A contaminação por pesticidas, de acordo com Adelaide, é pouco frequente, resumindo-se a casos isolados. Na maioria das vezes, os surtos de intoxicação alimentar são causados por microorganismos, esclarece.
Alimentos prontos para ser consumidos, que não tiveram refrigeração adequada - como carnes e maionese - são alvo certo de contaminação. Quando ingeridos, podem causar diarréia, vômito e desidratação, podendo até mesmo levar à morte se a pessoa contaminada não tiver atendimento médico. A carne que vai ser rapidamente consumida, só pode ficar na geladeira por, no máximo, 48 horas. Depois disso, deve ir para o freezer, observa Adelaide.
Resíduos de pesticidasFuros nas cascas de frutas e legumes são sinais de que podem estar contaminadas por microorganismos. Observe também se elas têm o pedicelo (cabinho), que funciona como uma espécie de proteção. Em casa, os cuidados devem continuar. Higiene é o fator número um para evitar contaminações. Em primeiro lugar, lave bem as mãos antes de manusear os alimentos. Todas as hortaliças e frutas devem ser bem lavadas e colocadas na água com hipoclorito ou vinagre, deixando por 30 minutos em água potável. Para as frutas ingeridas com casca, use uma escovinha macia. Esses procedimentos ajudam a retirar os microorganismos e também os resíduos de pesticidas, explica a nutricionista Meire Szanto Martins.
Todo cuidado é pouco na hora de comprar peixes. Os olhos não podem estar afundados ou deslocados da órbita, as guelras devem estar vermelhas, e as escamas bem presas. Se a pele afundar com a pressão dos dedos, já está em início de deterioração, adverte Adelaide.
Frutas de casca grossa como o melão e a melancia, exigem truques especiais na hora da escolha. Quem dá as dicas é a nutricionista. Para saber se o melão está maduro ou não, é só apertá-lo. Se ele ceder à pressão dos dedos, está no ponto. Se estiver leve demais (isso funciona para a melancia também), é sinal de que não tem a quantidade ideal de água - ou está muito verde, ou já envelheceu. Antes de levar a melancia para casa, faça outro teste: bata nela com os dedos da mão fechada; se o som que ouvir for oco, a fruta pode não estar boa.
Para testar se os ovos estão frescos ou não, faça a prova: mergulhe-os num recipiente cheio de água. Se afundarem, estão frescos; se subirem, já estão envelhecidos. Mas isso não significa que estejam estragados. Os ovos têm uma câmara de ar interna que vai ocupando mais espaço conforme o tempo passa, explica Meire. As claras também denunciam: se estivem liquefeitas, é melhor não arriscar.
Os enlatados exigem atenção especial na hora da compra. Produtos como palmito e salsicha precisam de um tratamento térmico adequado durante a produção, caso contrário podem provocar contaminação. Por isso, deve-se optar pelas marcas mais conhecidas, explica Adelaide. Olhar a data de validade e a aparência das latas é fundamental. Não leve para casa as que estiverem amassadas, porque isso significa que o verniz protetor pode ter sido danificado, deixando o alimento em contato com o metal. E pontos de ferrugem indicam mau estado de conservação, avisa ela.


