Alguém tem de ceder
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quinta-feira, 04 de junho de 2009
Erica Shimamura<br> Reportagem Local 
Luís Eduardo Silva é vegetariano há 17 anos, tem mais de 40 anos e atua como baterista em duas bandas de punk rock em Londrina. Claudia Oliveira gosta de comer carnes brancas, tem 30 anos e trabalha como cabeleireira. Os dois estão namorando há sete anos, e há um mês e meio decidiram dividir o mesmo teto. Como acontece com todo casal, eles compartilham afinidades e diferenças. Mas nessa história em particular, as incompatibilidades apareceram logo no início do relacionamento. Nessa fase, em que as divergências surgem mais suaves e fáceis de tolerar, para Claudia e Luis Eduardo vieram à tona sem disfarces. ''Pedi para ela não comer carne na minha frente. Tenho resistência em sentir o cheiro'', conta Luis Eduardo. Assim, se dependesse de afinidades gastronômicas, o namoro não teria dado certo; o casal teve de chegar logo a um acordo.
Para Claudia, conviver com essa regra desde o início do namoro incomoda um pouco, ''mas vale a pena'', pondera. Eduardo lembra que depois que começaram a namorar, ela deixou de comer carne vermelha e passou a consumir produtos à base de soja. ''A alimentação dela ficou mais saudável'', ressalta ele.
Os dez anos de namoro de Rafaela Gasparelli e Flavio Mata fizeram o casal compreender que o segredo de um relacionamento duradouro é aprender a respeitar as diferenças e manter o companheirismo, mesmo nos momentos não tão agradáveis. ''É algo que não deve ser imposto'', reflete Rafaela. Na história do casal, a principal incompatibilidade aparece nos momentos de lazer. ''Ele gosta de sair, ir a festas. Eu sou mais caseira'', confessa Rafaela. Para acertar os ponteiros e evitar brigas, a fórmula encontrada foi partir para o revezamento nas horas livres. ''Quando ele está muito animado para sair, acaba me convencendo; quando não estou com tanta vontade, ficamos em casa. Mas a gente sempre se entende'', confessa.
Marina e Alexandre (que preferem ficar no anonimato) já estão cansados de ouvir a frase: ''como vocês são diferentes!''. De jeito extrovertido e falante, ela gosta de viajar com o namorado e os amigos, de baladas regadas a MPB e samba. Ele, de temperamento mais introspectivo, prefere ficar a dois, não fala muito e gosta de rock. Além da diferença no jeito de ser, o casal está mantendo mais recentemente o namoro a distância. O relacionamento começou em dezembro de 2008 em Londrina, mas desde março último, Marina mudou-se para Curitiba, onde estuda. ''Está dando certo. Se passamos um fim de semana do jeito dele, no próximo combinamos do meu jeito, assim tudo é conversado'', relata. O importante, na visão de Marina, é entender que, apesar das diferenças há pontos em comum entre os dois. ''Os principais valores são compartilhados, como honestidade, a vontade de ter uma família e os planos para o futuro''.


