Alergias de verão
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sexta-feira, 29 de novembro de 2002
Rosângela ValeReportagem Local 
Todo cuidado é pouco com os olhos durante o verão. Nessa época, aumentam consideravelmente os casos de conjuntivite alérgica. O problema afeta seis entre 10 pacientes alérgicos e, apesar de não ser contagioso, costuma causar um grande desconforto. Entre os sintomas mais comuns estão queimação nos olhos, lacrimejamento, visão borrada, inchaço ou vermelhidão na parte interna das pálpebras, sensibilidade à luz e sensação de que há um corpo estranho na região. Esfregar os olhos constantemente, um sintoma que normalmente acompanha alergias não tratadas, pode levar a problemas oculares mais sérios.
O médico oftalmologista João Angelo Paccola explica que a conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente que cobre o branco dos olhos, chamada esclera. De acordo com ele, no verão a doença é provocada principalmente pelo uso inadvertido de filtros solares. ''As pessoas passam o produto muito próximo aos olhos, o que causa bastante irritação, provocando uma conjuntivite química'', esclarece, recomendando cuidado com o manuseio do produto. O ideal é evitar as pálpebras e a região ao redor dos olhos, que devem ser protegidos com óculos de sol atenção para a qualidade das lentes.
Paccola avisa ressalta que, como a incidência de raios ultravioleta responsáveis por lesões de retina e até catarata é muito grande nessa época, os óculos são imprescindíveis. ''Hoje se sabe que o número de cataratas aumentou no mundo todo devido à exposição aos raios ultravioleta'', informa.
A segunda conjuntivite que mais aparece nessa época é a causada por produtos químicos usados na limpeza de piscinas. ''A pessoa geralmente nada de olhos abertos e acaba contaminada'', explica o oftalmologista. O uso compartilhado de piscinas, ou mesmo de toalhas e roupas, também são fatores responsáveis pelas infecções. Para preservar a saúde dos olhos durante o verão, alguns cuidados são importantes. Evite entrar na piscina se o local estiver muito lotado; tenha sempre uma toalha pequena para uso pessoal; não tenha contato íntimo com pessoas que estejam em tratamento de conjuntivite; lave sempre as mãos e resista ao impulso de coçar os olhos.
Paccola lembra que a alergia provocada pela areia sobretudo em crianças é bastante comum. Poeira e fumaça de veículos também causam conjuntivite, além de ressecamento nos olhos. O problema geralmente é causado pelo hábito de andar de moto com a viseira do capecete aberta.
Ao sentir qualquer desconforto nos olhos, como ardor, lacrimejamento e vermelhidão, o oftalmologista orienta a lavar os olhos com água fria ou gelada. Caso o problema persista, o ideal é procurar um especialista. ''Muito cuidado com colírios vendidos em farmácias sem orientação médica. O seu uso pode causar inflamação na córnea e, a longo prazo, glaucoma (aumento na pressão dos olhos)'', adverte.
Segundo Paccola, a conjuntivite virótica também é bastante comum nos meses de calor. O vírus se propaga mais facilmente no verão, pois o contágio é facilitado pelo grande número de pessoas na praia e em clubes. ''Essa é a mais séria das conjuntivites. Pode provocar inflamação na córnea se não for tratada a tempo'', avisa. n


