Ajuda na rede
Os doentes de Parkinson e seus familiares ganham mais uma ferramenta de pesquisa sobre a doença, o site Parkinson Online (www.parkinson.med.br). O portal entrou no ar recentemente e é dirigido ao público em geral, que poderá consultar informações como as causas e sintomas do Parkinson, enfermidades correlatas, as diferenças entre as várias formas da doença e os tratamentos disponíveis, sempre em linguagem acessível.
O site tem também uma área dedicada a notícias sobre as mais recentes pesquisas clínicas feitas sobre a doença e dicas de fisioterapia, fonoaudiologia e nutrição para os portadores da doença.
Para os médicos e profissionais da saúde, o site traz em uma área reservada os principais artigos da literatura médica e calendário de eventos. Esse espaço será atualizado quinzenalmente.
O site foi organizado pelo doutor em neurologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) João Carlos Papaterra Limongi, e conta com o patrocínio da Pharmacia. O lançamento oficial do www.parkinson.med.br aconteceu no mês passado, no 20º Congresso Brasileiro de Neurologia, em Florianópolis.
Crescimento Segundo dados do censo de 2000, divulgados no dia 25 de julho deste ano pelo IBGE, 8,6% da população brasileira tem 60 anos de idade ou mais, o que significa quase 15 milhões de pessoas. Nos próximos 20 anos, ainda de acordo com o IBGE, o número de idosos no Brasil poderá ultrapassar a marca de 30 milhões e deverá representar quase 13% da população ao final deste período.
O aumento do número de pessoas com mais de 60 anos vai significar também o crescimento da quantidade de idosos com a doença de Parkinson. Segundo dados da Associação Brasil Parkinson (ABP), existem no País cerca de 220 mil portadores da doença, ou quase 2% dos 174 milhões de brasileiros.
Sintomas A doença de Parkinson é caracterizada pela morte dos neurônios que produzem a dopamina, substância responsável pelo controle da coordenação motora e dos movimentos voluntários no corpo humano. Mesmo com as inúmeras pesquisas que são feitas em todo o mundo, as causas dessa morte ainda são desconhecidas.
Os principais sintomas da doença são tremores involuntários nas mãos, rigidez muscular e lentidão de movimentos. O tremor de mãos e dedos é chamado de tremor de repouso, porque ele ocorre quando o paciente não está executando nenhum movimento. A rigidez muscular afeta o rosto, braços, pernas e até o pescoço. O rosto fica rígido e parece estar congelado.
Vale lembrar que a lentidão de movimentos nem sempre é notada de imediato pelas pessoas. O parkinsoniano demora mais tempo para realizar tarefas como banhar-se, vestir-se, cozinhar ou escrever.
A doença atinge principalmente pessoas com mais de 50 anos, com uma pequena predominância nos homens. Quando os primeiros sintomas são diagnosticados, já houve um comprometimento de cerca de 50% a 60% dos neurônios dopaminérgicos do cérebro. Nas fases mais avançadas pode comprometer a vida do paciente, uma vez que a falta de controle dos movimentos pode resultar em dificuldade na deglutição dos alimentos, além de enfraquecer o organismo e abrir espaço para doenças oportunistas.
Mal flutuante O apoio da família é essencial para que o paciente viva melhor com a doença. ''Muitas vezes, a família acha que o idoso está com má vontade, preguiça, fazendo birra'', afirma Papaterra. ''Mas é importante que os familiares entendam que o doente de Parkinson não tem controle sobre seus movimentos e que o mal é flutuante. De um momento para o outro, o idoso pode passar da mobilidade para a imobilidade'', explica.
No País, a ABP desenvolve um trabalho para o atendimento do paciente e orientação dos familiares. Na entidade, parkinsonianos e cuidadores denominação para quem lida diretamente com o doente participam de atividades como fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.
De acordo com o presidente da ABP, Samuel Grossmann, o parkinsoniano não pode esconder a cabeça em um buraco como um 'avestruz'. ''É importante que o paciente conheça a doença e aprenda a entender seus limites e potencialidades'', diz. ''Ficar sentado o dia todo em uma cadeira, assistindo televisão só piora a doença e a depressão'', completa.
Pesquisa Recentemente, estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) demonstrou que o pramipexol, princípio ativo, pode, potencialmente, proteger os neurônios dopaminérgicos, produtores da dopamina.
A nova pesquisa que demonstrou as propriedades neuroprotetoras do pramipexol foi realizada durante quatro anos com 81 parkinsonianos nos Estados Unidos. Os cientistas descobriram que os pacientes tratados com essa substância apresentaram uma queda menor na atividade neuronal dopaminérgica, em relação àqueles que utilizaram a levodopa tradicional substância usada no tratamento do mal de Parkinson.
Para João Carlos Papaterra Limongi, os resultados da pesquisa ''são mais uma evidência de que existe a possibilidade de retardar a progressão da doença''. De acordo com o especialista, ''a propriedade neuroprotetora do pramipexol sugerida pelo estudo significa um grande avanço no tratamento''. n





