Ai que preguiça!
Cleide Cavalcante
Agência Estado
Arquivo FolhaFicar algum tempo sem fazer nada acaba estimulando a criatividade
janelaNão há exceção. A preguiça, crônica ou não, afeta todo mundo. O problema é que, na maioria dos casos, ela chega na hora errada. Os olhos não se fixam em nada, o corpo escorrega pela cadeira... e tome bocejo...
Dizem os especialistas em comportamento humano que é bom passar um certo tempo por dia sem fazer nada. O professor de sociologia do trabalho Domenico De Masi garante que faz bem para a criatividade e cita vários exemplos, com base numa pesquisa que ele coordenou e que virou livro - A Emoção e a Regra, lançado pela Editora José Olympio.
Em sua pesquisa, a equipe chefiada por De Masi, que além de dar aulas na Universidade de Roma é consultor de várias empresas, comparou os métodos de trabalho de escritores e artistas de Bloomsbury, em Londres, com o dia-a-dia dos cientistas do Instituto Pasteur e outros grupos. Em praticamente todos os casos a conclusão foi a mesma: ficar algum tempo sem fazer nada, apenas jogando conversa fora, acaba estimulando a criatividade.
A preguiça é o fermento indispensável da imaginação criativa, filosofa De Masi em seu livro. E tanto ele como Paul Lafargue, autor de O Direito à Preguiça, garantem que a criatividade se manifesta mais quando há a troca de opiniões, nos momentos de ócio, do que quando se trabalha isoladamente.
Segundo a pesquisadora Susan Leibig Martins, o ser humano fica com mais preguiça quando tem de assumir responsabilidades. Se os pais poupam as crianças de fazer suas tarefas, a tendência é de que elas cresçam sem muita disposição para desenvolver certas atividades. E, quando a preguiça supera a vontade, vem o inevitável sentimento de culpa, um peso na consciência por ter deixado de fazer algo.
Susan explica que todas as atitudes do ser humano são o resultado de cinco motivações: poder, prestígio, segurança, amor e liberdade. No caso das pessoas em busca de um amor, por exemplo, elas não sentem preguiça para conseguir seus objetivos, acrescenta a especialista. Mas há os casos de preguiça crônica. Por exemplo: muita gente não gosta de levantar pela manhã. Há quem tente driblar a preguiça neste caso, adiantando o relógio em dez ou 15 minutos. Quando o relógio desperta, é bom saber que há ainda mais alguns minutos para cochilar. Mas a melhor estratégia, avisa Susan, é a da reprogramação da preguiça.





