Agulhas na alma
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quinta-feira, 03 de junho de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Nos últimos anos, os tratamentos alternativos vêm ganhando cada vez mais adeptos. Embora não comprovados pela ciência convencional, métodos como a homeopatia, as cirurgias espirituais, tratamentos com florais e outras tantos conquistam pacientes que buscam a cura longe dos consultórios médicos e dos remédios alopáticos. A acupuntura, técnica chinesa com mais de cinco mil anos de história, é uma das propostas melhor aceita pela população e pela comunidade médica, tanto que já foi reconhecida como especialidade em várias áreas, como a fisioterapia e a fonoaudiologia.
Agora chegou a vez dos psicólogos usarem a acupuntura como complemento para os problemas da alma. Em 2002, o Conselho Federal de Psicologia autorizou o uso da técnica como recurso no trabalho do psicólogo, mas o Conselho de Medicina embargou a resolução algum tempo depois. Mesmo assim, muitas pessoas acreditam nos resultados do tratamento com as agulhas e alguns profissionais se utilizam delas em seus consultórios. ''Uso a acupuntura há 17 anos e em vários países ela é amplamente popular. No Brasil, existem cursos de acupuntura desde 1956. Ela não é exatamente uma novidade no ocidente'', diz o psicólogo e presidente da Associação Brasileira de Psicologia e Acupuntura, Delvo Ferraz da Silva.
Para ele, o motivo do sucesso da acupuntura nos últimos anos é simples. ''As pessoas querem se curar, se livrar do problema, seja ele físico ou emocional. Os relatos de gente que melhorou com a acupuntura levam outros a procurar especialistas na área'', comenta.
Segundo o psicólogo, o diferencial do tratamento com acupuntura é a não separação entre o físico e o emocional. ''O médico trata da pessoa como um todo. A medicina tradicional chinesa acredita que por trás de uma doença física existe sempre um fator psicológico. E por trás de uma ansiedade ou depressão, existe um desequilíbrio do corpo. A acupuntura busca restabelecer esse equilíbrio e, dessa forma, diminuir e acabar com os problemas que ele causou'', garante.
Agulha no ponto A técnica é bastante simples. Quem acredita na acupuntura diz que o corpo humano, e o de animais também, é repleto de pontos de energia que são ativados quando as agulhas são colocadas. Cada ponto é responsável por determinada reação no organismo, inclusive reações químicas. ''Os pontos de acupuntura foram comprovados cientificamente, embora ainda não se saiba como a técnica funciona'', afirma Delvo. E a teoria de que os resultados sejam puramente subjetivos, fruto da crença de cada um, é desmentida pelo especialista. ''Sabemos que quando a pessoa acredita no trabalho, os resultados são melhores. Mas se essa fosse a única razão do sucesso, o método não seria eficaz em animais e bebês, que simplesmente não entendem o que está acontecendo. E temos vários casos de tratamentos bem-sucedidos em crianças e animais'', diz.
Mas a acupuntura não faz milagres. O psicólogo reconhece que a técnica tem seus limites e deve ser encarada como um complemento do tratamento convencional. ''Em casos mais graves, como esquizofrenia, por exemplo, a acupuntura ajuda, mas não é a cura. Cada paciente é tratado com o método que o especialista achar mais conveniente. Pode ser psicoterapia, hipnose, acupuntura ou outro qualquer. Em geral, os melhores resultados do uso da acupuntura na psicologia são nos casos de depressão e medos'', esclarece.
Cada sessão dura em média 20 minutos e os resultados começam a aparecer já no início do tratamento. A acupuntura não tem contra-indicações e não é dolorosa, mas Delvo lembra da importância de buscar um profissional capacitado na área. ''Se a pessoa não conhecer a técnica direito, não irá acertar os pontos de energia e o tratamento não terá resultados. Também é importante que cada pessoa tenha seu jogo de agulhas, para evitar contaminações'', alerta. n


