Quando se fala de Botox, a maioria das pessoas lembra logo das aplicações que suavizam as rugas de expressão. Mas a toxina botulínica tipo A, nome científico da substância, também é aplicada em portadores de hiperhidrose, patologia que provoca a sudorese excessiva, principalmente nas mãos, pés e axilas.
Uma equipe multidisciplinar de especialistas de vários países, entre eles Alemanha, Suíça e Estados Unidos, liderada pelo professor John Hornberger, doutor da Escola de Medicina da Universidade de Stanford (EUA), reuniu estudos e artigos científicos sobre a hiperhidrose publicados entre 1966 e 2002 e elaborou um consenso sobre a doença, publicado este ano pela revista científica americana Clinical Review. A equipe contou com a participação da médica dermatologista Ada Trindade de Almeida, do Hospital do Servidor Público de São Paulo.
Simplicidade O trabalho confirmou o uso do Botox como o método menos invasivo para o tratamento da hiperhidrose. ''O paciente não precisa se afastar das atividades diárias, como ocorre com outros métodos de tratamento da doença. A técnica é simples, não necessita de internação e cuidados pós-operatórios, e os resultados aparecem rapidamente. Além disso, o produto melhora a qualidade de vida do paciente, que passa a viver normalmente, livre de medos e inseguranças'', afirma a dermatologista.
A substância é aplicada diretamente na região em que o suor é produzido excessivamente, provocando a diminuição em até 80% ou, em alguns casos, a interrupção da produção de suor pelas glândulas sudoríparas. Os resultados aparecem após uma semana de tratamento e o efeito dura em média seis meses, sendo necessária a reaplicação após esse período.
Quatorze estudos enfocaram mais de 700 pacientes que utilizaram a toxina com segurança e eficácia 94% deles tiveram uma redução média da produção de suor de 83%. Em um outro estudo, realizado com 145 pacientes em um período de duas a 24 semanas, 92% dos pacientes se declararam satisfeitos ou totalmente satisfeitos com esse tipo de tratamento na quarta semana.
Cirurgia Para os especialistas, a simpatectomia torácica videocirúrgica cirurgia que interrompe a transmissão dos nervos responsáveis pela transpiração excessiva e método mais comum para o tratamento da hiperhidrose deve ser a última alternativa.
Antes de indicar a cirurgia, é recomendado que os médicos tentem o tratamento com o uso de cloreto de amônio hexaidratado e iontoforese (medicação iônica introduzida dentro dos tecidos por meio de uma corrente elétrica). Estes métodos aparecem como as primeiras opções, seguidas da aplicação de Botox.
Alívio O pedagogo e geógrafo Vanderlei Batista da Silva, 38 anos, conta que desde criança tem hiperhidrose em várias partes do corpo como axila, testa e abdome. Só adulto, quando o suor começou a incomodá-lo e causar problemas de relacionamento e constrangimento, foi procurar tratamento. ''Muitas vezes tive que interromper reuniões porque ficava com a roupa ensopada. Eu voltava para casa, tomava banho e voltava para reunião. Após algumas horas eu já estava ensopado novamente. Além disso, eu não podia abraçar as pessoas e cumprimentá-las para não molhá-las'', conta.
Há cerca de seis meses, Vanderlei iniciou o tratamento da hiperhidrose com aplicação de Botox. ''A médica aplicou a substância nas axilas e na testa, locais em que tenho maior incidência de sudorese, e a transpiração diminuiu 100%. Consequentemente minha vida social também melhorou'', comemora. n

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