Agora é lei
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quinta-feira, 26 de agosto de 2004
Da Editoria 
Com a portaria do Ministério da Saúde em vigor, que determina que as farinhas de trigo e milho produzidas no Brasil ou importadas tenham em sua composição ferro e ácido fólico, esses produtos e seus derivados ganham uma dose extra, mas necessária, de nutrientes.
Fortificadas, as farinhas de trigo e milho podem reduzir as chances de se desenvolver anemia ferropriva caracterizada pela falta de ferro no organismo e principal causa de mortalidade materna e do baixo peso ao nascer entre os brasileiros. O ácido fólico, também conhecido como vitamina B9, foi integrado ao processo com o objetivo de reduzir os males provocados no tubo neural, que podem gerar defeitos ósseos, paralisia dos membros inferiores e problemas na bexiga e no intestino.
Já praticada em outros países, a adição desses nutrientes representa a melhor alternativa para o combate à anemia, uma vez que é de baixo custo, fácil acesso e atinge grande número de pessoas, de todas as classes sociais. Nos Estados Unidos e no Chile, por exemplo, o ácido fólico é apontado como responsável pela diminuição na incidência de doenças do tubo neural em 40%.
Escolha certa De acordo com a nutricionista Valéria Arruda Mortara, a solução encontrada é prática, muito eficiente e certamente surtirá efeito tão positivo para a saúde pública como em 1956, quando o iodo foi inserido ao sal de cozinha, reduzindo os casos de bócio no Brasil. Valéria considera que a escolha desses alimentos não poderia ser melhor, uma vez que são de largo uso e extremamente democráticos. ''É importante alertar que a anemia não atinge apenas as camadas menos favorecidas. Todos estão sujeitos e muitas pessoas acabam sofrendo de uma doença chamada fome oculta. Manifesta-se em indivíduos que se alimentam, sim, mas deixam de ingerir itens ricos em nutrientes essenciais como vitamina A, iodo e ferro. É considerada muito grave, principalmente pelo fato de a pessoa aparentar estar muito bem'', explica.
Adaptação na indústria A partir da data determinada pelo Ministério da Saúde, o Moinho Globo, localizado em Sertanópolis, a 45 quilômetros de Londrina, adequou seus produtos dentro da nova norma e já estão no mercado as versões complementadas. Para tanto, a indústria investiu cerca de 60 mil reais em novos equipamentos dosadores, necessários para a adição do ferro e ácido fólico à farinha de trigo. Segundo o gerente de produção, Cláudio Gonçalves, a adição do ferro e do ácido fólico não altera em nada as características de paladar ou o valor final do produto para o consumidor. ''Ao contrário, esses aditivos representam um ganho sem cálculos para o bem-estar dos consumidores'', afirma o gerente.
Ele também chama a atenção para a importância da qualidade do produto adicionado pela indústria. ''O pré-mix de ferro que estamos utilizando é produzido pelo maior fabricante mundial de ferro alimentício, que é a Hoganas, uma empresa da Suécia. O consumidor precisa estar atento e comprar produtos de marcas que ele realmente confie, pois o ferro adicionado à farinha deve ser de um tipo específico para alimentação'', destaca.
Importância do ferro A manutenção de uma boa fonte de ferro fornece energia, ajuda o funcionamento do sistema imunológico e aguça os sentidos. Estudos apontam que até mesmo uma deficiência de ferro leve muito abaixo dos níveis comumente encontrados na anemia pode resultar em redução da atenção de adultos e no mau desempenho escolar de adolescentes. Sendo assim, a adição de ferro e ácido fólico, embora invisível, pode gerar transformações bastante significativas a todos. n


