''O horror das ruas sórdidas que percorrera, dos pardieiros avistados, havia sumido por completo. Eu estava cego de tanta beleza e amor. Na verdade, o sol, numa explosão, fizera voar tudo em esplendor e iluminava a alegria por toda parte''. A declaração do médico francês Frédérick Leboyer, em 1995, expressa o encantamento com momento de carinho entre mãe e filho, em meio à miséria na Índia.
O olhar atento de Leboyer, presenciou um gesto simples de uma mãe que massageava lentamente seu bebê, seguindo um ritual passado de mãe para filha, na Índia. A cena foi vista numa associação de caridade em Pilkhana, uma favela em Calcutá. A nome da mãe, Shantala, uma mulher paralítica que permitiu a observação do médico e as fotos do ritual, que mais tarde foram publicadas em livro.
O gesto, corriqueiro para aquelas mulheres, batizado pelo médico de Shantala em homenagem à mãe, gerava inúmeros benefícios aos bebês. Leboyer percebia que mesmo em meio a tanta miséria, as crianças na Índia eram fortes e alegres. Rapidamente compreendeu que o elo entre mãe e filho se fortalecia durante a massagem, pelo toque e o contato entre ambos, formando crianças seguras, apesar das dificuldades da vida daquele povo.
O método foi difundido no mundo através da publicação do livro ''Shantala, massagem para bebês: uma arte tradicional''. Até hoje, especialistas estudam os benefícios da Shantala e resultados indicam melhora, principalmente nas cólicas dos bebês. ''O resultado é imediato, e as crianças ficam livres das cólicas'', afirma a fisioterapeuta especializada nesse tipo de massagem, Ana Maria Izuhara.
Ela fez o curso de Shantala em São Paulo e ensina as mães a massagearem os filhos. De acordo com a fisioterapeuta, os movimentos repetitivos fortalecem os músculos, ajudam no desenvolvimento motor e relaxam os bebês. ''Com a massagem, as crianças crescem seguras em relação ao mundo''.
Apesar dos benefícios da técnica, especialistas afirmam que o mais importante é o toque, o contato físico com o bebê, a demonstração do amor da mãe para o filho e a receptividade por parte dos bebês.

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