Adrenalina pura
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sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Descer cachoeiras pendurado em cordas, escalar pedras, enfrentar corredeiras em botes infláveis e desbravar matas a pé ou de bicicleta. Atividades perigosas demais para quem já passou da adolescência? Pois se engana quem pensa que esses esportes radicais são praticados só por rapagões de 20 e poucos anos, com os músculos em dia e o espírito de aventura em alta.
Segundo Ricardo Queirolo, proprietário da agência de ecoturismo e loja de artigos esportivos Adrenalina.com, a procura pela aventura e o contato com a natureza também atrai quem está com a vida tranquila e já passou dos 40. ''Cerca de 20% do nosso público são pessoas entre 40 e 50 anos de idade'', afirma. E as mulheres também não se assustam com a dureza radical. Queirolo garante que cerca de 70% dos clientes são mulheres, e que elas são bem mais destemidas que os marmanjos de plantão. ''Os homens só vão se os amigos também forem, mas elas chegam aqui sozinhas e se inscrevem sem pensar muito'', diz.
Sedentários também A aventura mais procurada nesta época do ano é o rapel, técnica trazida do exército que utiliza cordas para descer pedras, cachoeiras e prédios. Além de ser o mais popular, o rapel, de acordo com Queirolo, é o mais seguro também. ''Os equipamentos têm duração de cinco anos, mas trocamos tudo a cada ano para garantir a segurança. Nunca tivemos nenhum tipo de acidente'', garante. E a idéia de que é preciso estar com o condicionamento físico em dia para participar também não é verdadeira. ''Quem já pratica algum esporte se sente mais seguro, mas os sedentários também podem fazer que não tem problema'', afirma.
Nem mesmo a idade é empecilho. A agência aceita inscrições de pessoas a partir de 14 anos, desde que com autorização dos pais, para os menores de 18, e não faz restrições com relação à idade máxima. ''Qualquer pessoa que consiga andar, dirigir um carro e fazer atividades normais do dia-a-dia pode fazer rapel. Já tivemos um senhor de 76 anos que participou de um grupo'', conta. O que é preciso mesmo é o espírito de aventura e o desejo de sair da rotina. ''Com o perigo que as pessoas encontram na cidade, fica difícil sair para fazer um passeio. O ecoesporte é uma opção de lazer que une diversão e segurança'', diz.
Segurança E geralmente quem faz uma vez, acaba voltando e tentando outros tipos de esporte radical. É o caso do arquiteto Alessandro Campos, 30 anos, que todos os finais de semana troca o agito da cidade por esses passeios. ''Sempre pratiquei esportes e, quando conheci o Ricardo, comecei nos radicais. Já fiz de tudo, menos paraquedismo. A sensação de liberdade e a adrenalina são fantásticos. A gente acaba viciando e quer ir sempre. Você se sente mais vivo'', comenta.
O único cuidado que deve ser tomado é com relação à organização dos grupos que oferecem esse tipo de turismo. Materiais como capacete, corda de segurança, luva e freio são fundamentais para garantir a segurança, além de guias especializados, treinados para qualquer imprevisto. ''Tem gente que compra o equipamento e sai por aí montando grupos para escalada ou rapel. Nossos guias são todos treinados e têm experiência no esporte, o que garante a segurança, que é fundamental'', alerta Queirolo.
Os passeios para o rapel duram o dia todo e são realizados aos sábados e domingos. No pacote estão incluídos transporte, alimentação e equipamento. Os grupos são formados com 14 pessoas e quatro guias e o preço é de R$ 59,00.


