Com 50 anos de vida dedicados à alfabetização de crianças, a professora aposentada Izabel Sachetim Marçal causa comoção quando retorna ao Colégio Universitário, onde trabalhou nos últimos 20 anos de carreira. A recepcionista Luciene Cristina Imes Baptista a reconhece no mesmo instante e lembra emocionada do dia que teve que deixar a turma da tia Izabel. ‘‘Eu chorei tanto que cheguei a passar mal. Não queria mudar de ano só para continuar tendo aula com ela’’, conta.
  E as demonstrações de carinho continuaram durante todo o tempo que ficamos esperando pela aluna Paula Ávila Garcia, do 3º ano do ensino médio, que também se lembra de forma especial da professora do 1º ano primário. Quando ela chega, os olhos de Izabel se enchem de lágrimas. ‘‘Ela continua linda como quando era criança’’, diz.
  É esse carinho em tratar os alunos e a preocupação com cada um deles que, segundo a professora, a deixou na memória de tantos. ‘‘Me lembro da maioria deles e consigo dizer até em que turma cada um estudou comigo. Sempre tive muito amor com todos os alunos. Era rigorosa, cobrava as tarefas e fazia todos estudarem, mas com muito respeito e compreensão’’, explica.
  Tudo isso gerou disciplina, persistência e ordem nos estudos. ‘‘Levo isso até hoje comigo. Claro que não sou tão organizada como era antes, mas se eu não tivesse tido aulas com ela no começo talvez fosse pior’’, garante Paula.
  Quando vê os alunos de hoje, Izabel se entristece pela falta de incentivo e preparo. ‘‘Muitas crianças terminam o 1º ano sem saber ler e escrever corretamente. Muitos passam a vida com esse problema. Os primeiros anos de escola são muito importantes e as pessoas parece que se esqueceram disso’’, lamenta.
  Prova de que o método tradicional funcionava é a vontade de Paula em voltar ver a professora na sala de aula. ‘‘Gostaria que meus filhos tivessem aula com ela também. Eu gostava de ir para a escola e era sempre uma festa. Ela contava histórias e a gente aprendia de uma forma natural. Até hoje tenho uma letra bonita e devo isso a ela’’.
  Formada na antiga escola das normalistas, Izabel nunca deixou de estudar e fazer cursos, mas afirma que só isso não basta para formar um bom mestre. ‘‘ Eu nasci para dar aula, me divertia com os alunos e sempre gostei do meu trabalho. Acho isso o mais importante. E receber o reconhecimento dos alunos me deixa muito feliz.’’ (H.F.)

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