Ninguém aprecia um ‘‘não’’ como resposta, ainda mais a garotada, cheia de vontades e desejos num mundo em que não faltam apelos emocionais e materiais. As reações, por conta disso, não costumam ser muito amáveis, podendo ir de uma ‘‘cara emburrada’’ e tremendo mau humor, com cenas de portas dramaticamente batidas, à chantagem lacrimosa, com muitos ‘‘ah, papai, deixa, vai!’’ e promessas de perene aceitação de ‘‘nãos’’ futuros, desde que este, o do momento, seja revogado.
Com certeza, é muito mais fácil dizer ‘‘sim’’, mas os adolescentes, mesmo a contragosto ou não revelando isso aos principais interessados, reconhecem que aquele ‘‘não’’ veio bem a calhar. ‘‘Na hora, a gente não concorda muito’’, comentam Marcus Vinicius, Giuliana e Fernanda, na faixa dos 14 anos, ‘‘mas depois acaba achando que eles tinham razão.’’
É claro que todos rejeitam apenas um ‘‘não’’, despojado de qualquer justificativa. ‘‘Tem de ter explicação’’, exigem Isabela e Bruna, de 13 anos. Assim, fica até mais fácil aceitar certas imposições dos pais, como ‘‘dar palpite em nossas roupas’’, de que se ressentem as meninas, ou ‘‘ter de tomar banho todos os dias’’, como reclamam os meninos.
Exigência de justificativa, contudo, não quer dizer desrespeito à autoridade, pois como afirmam Mateus, 11 anos, e André, 12, ‘‘a melhor parte do relacionamento com os pais é o diálogo.’’ Se esse diálogo for temperado com bom humor, então, complementam os demais, ‘‘fica melhor ainda.’’
Fica fácil perceber, portanto, que os ‘‘nãos’’, apesar dos pesares, são bem-vindos. Tanto que a garotada é unânime em dizer que, quando tiverem filhos, vão educá-los do mesmo jeito, ‘‘por sabermos que é o jeito melhor’’, conclui Marcus, falando por todos. (A.S.)

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