Adolescência sem os pais
Alguns estudiosos comparam a adolescência a um ‘‘novo nascimento’’. Nesta fase, os jovens vivem um dilema onde todas as mudanças são dramáticas. ‘‘As transformações físicas pelas quais todos têm de passar causam estranheza, ansiedade e muitas vezes tristeza. É o momento em que se estabelecem novas relações do indivíduo com ele mesmo, com outros adolescentes, com a família e com o meio social’’, diz o médico Renato Moriya. Assim, segundo ele, na dinâmica de reelaboração de sua identidade, é preciso que o adolescente vivencie três grandes lutos: perda do corpo infantil, perda da identidade e do papel infantil. Nesse período, o adolescente vive o luto dos pais idealizados. ‘‘É necessário destruir a imagem de perfeição dos pais para poder romper com essas pessoas tão importantes, mesmo que seja para crescer e conquistar independência. Ele precisa do pai para confrontar-se (‘morte’ em fantasia) e ao mesmo tempo que o pai sobreviva a esse confronto (pai forte o suficiente para tolerar a ‘morte’)’’, enfatiza o médico. ‘‘O jovem precisa deles com sua presença e surpervisão à distância, necessita que assumam desafios para que ele possa querer, manter a esperança de crescer e viver a vida de adulto. Como será vivenciado esse ‘luto’ quando os pais estão ausentes? Como o adolescente vai crescer, amadurecer, sem ter com que e com quem se revoltar?, indaga Renato Moriya.

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