Até os 10 anos de idade, a passagem de um ano para outro do Ensino Fundamental é um processo tranquilo e sem grandes mudanças para as crianças. Mas eis que chega a 5 série e tudo fica diferente. À frente da sala de aula, não estão mais as adoradas ''tias''. Agora quem comanda a turma são vários professores, um para cada matéria. No primeiro dia de aula, uma agenda com direitos, deveres, normas e procedimentos, distribuída à turma, comprova aquilo que os alunos já desconfiavam: nada mais será como antes.
Essa nova fase na vida escolar vem acompanhada de outras mudanças profundas: a perda do corpo infantil. ''Logo depois, vem a escolha da sexualidade. Esses pré-adolescentes vão atravessar uma fase muito importante'', ressalta o educador Virgílio Tomasetti Júnior.
O educador lembra que as diferenças entre meninos e meninas nessa idade são visíveis. ''O garoto é ainda um bebezão, a cabeça dele não está preparada para o que ele vai perder, mas ele sente que as mudanças estão chegando e, com elas, a responsabilidade. Entre as meninas, há dois tipos de comportamento: aquelas que depois da menstruação se sentem um mulherão, mas ainda têm corpo de criança; e aquelas que, de fato, parecem um mulherão, mas ainda se sentem crianças'', explica Virgílio.
O fato é que, independentemente de serem meninos ou meninas, alguns querem crescer, outros não. ''Não se preocupe se o seu filho escolher não amadurecer nessa fase (em que a sexualidade está latente e prestes a eclodir). Preocupe-se apenas em ser um bom representante do seu sexo. Isso é mais importante para a saúde mental dele'', ensina o educador. Em outras palavras, os meninos precisam ter bons referenciais masculinos, e as meninas, bons referenciais femininos. Atitudes e diálogo são as melhores ferramentas para realizar esta tarefa.
''O pai que acompanha seu filho no futebol e nos estudos, estando ou não presente fisicamente, mostra que a masculinidade é um exemplo a ser seguido. Nenhum pai deve ter medo de abraçar seu filho ou beijá-lo, pois é muito mais provável que um garoto se torne homossexual pela falta de amor de seu pai do que pela presença desse amor'', observa Virgílio. ''E as mães devem fazer o mesmo com suas filhas, salientando a ternura, o poder de sedução e a sensibilidade das mulheres''.
Além de criar fortes referências masculinas e femininas - e garantir uma boa orientação sexual e afetiva - essas atitudes de proximidade dos pais passam à criança a reconfortante sensação de que o mundo não é tão cruel como começa a parecer. ''Criança resiste a tudo, menos à ansiedade do pai e da mãe'', avisa.
Pais mais presentes- De acordo com o educador, é fundamental que os pais estejam presentes na rotina escolar dos filhos, sobretudo se forem meninos, ajudando na organização de hábitos e estudos diários. ''Mesmo que eles não admitam, quando sabem que os pais acompanham seu calendário escolar, sentem-se as pessoas mais seguras do mundo'', garante o educador, citando uma pesquisa feita na Inglaterra, cujos resultados foram surpreendentes: mostraram que as crianças não se envergonhavam por terem os pais desempregados. Pelo contrário. Elas adoravam a situação, pois assim podiam ter um acompanhamento mais próximo deles em seus estudos.
Como orientação aos pais, Virgílio recomenda atenção especial a algumas questões importantes: ''Ensine a seu filho que a escola e suas atividades são essenciais, passando a noção de prioridade que o estudo requer; evite programas familiares e viagens em dias de aula e oriente-o a assumir as responsabilidades e os compromissos escolares. Jamais, em nenhuma situação, passe a ele a impressão de que 'o jogo' está ganho. Criança que não enfrenta frustração não vai enfrentar o século 21. E frustração, na medida certa, é o melhor antídoto contra a formação de psicopatas'', ensina o educador.
Entre os tópicos discutidos durante a palestra, a necessidade de limitar o acesso à internet foi o que mais mobilizou os pais, visivelmente angustiados pela dificuldade de controlar a tal ferramenta. A coordenadora do SME, Márcia Guimarães, foi direta ao falar sobre o assunto: ''Quem não gosta de internet, ou não sabe usá-la, tem de aprender. É uma obrigação dominar a linguagem de nossos filhos''.
Na lista de cuidados básicos com a rede virtual, Márcia destaca: ''Oriente as crianças a não fornecer informações pessoais na página do Orkut; avalie os contatos do MSN e as conversas (que podem ficar gravadas) e fique de olho nos sites que eles acessam. Segundo a coordenadora, os pais têm o dever de saber de tudo e de todos que fazem parte da vida dos filhos. ''Isso não significa ficar neurótico, mas atento'', ensina.

mockup