Regiane Müller Freiberger é professora, solteira, recentemente completou 40 anos e faz parte da parcela da população que nunca saiu da casa dos pais. Como começou a cursar pedagogia na Universidade Estadual de Londrina (UEL) com 18 anos e na mesma época começou a trabalhar em Rolândia, após passar em um concurso público, a necessidade de sair de casa para estudar, trabalhar fora ou mesmo para se casar nunca chegou. Até poucos anos, a cobrança dela mesma por ter sua casa separada dos pais era muito grande. Atualmente, porém, está tranquila com a escolha que fez.
"Fico tranquila porque muitas pessoas saem de casa e continuam dependentes dos pais tanto financeiramente quanto emocionalmente, e muitas vezes precisam até voltar. Hoje eu me cobro menos porque tenho planos de sair assim que passar em concursos que estou prestando, em outras cidades. Parei de sofrer por causa disso", afirma.
Ela ressalta que no início dos 20 anos, no momento em que os jovens sentem a necessidade de serem livres, essa "necessidade" não surgiu. "Nessa época eu era muito ocupada, tinha um negócio em sociedade com minha mãe, já trabalhava, estudava, então essa fase de possível conflito passou. Aqui em casa nós sempre nos ajudamos muito, todos sempre trabalharam fora, então sentimos a necessidade de juntar as forças, não dividir", contextualiza.
Regiane explica ainda que nunca teve um carro separado da família, mas que hoje ajuda a manter o automóvel. "Nunca tive problemas em usar o carro, sair para a balada e chegar de manhã ou receber meus amigos em casa. Inclusive meus pais são bem festeiros e meu pai é amigo dos meus amigos".
Jaime Freiberger, de 60 anos, resumiu a estadia da filha em casa com uma frase: "Ela é minha companheira". No momento da entrevista, os dois estavam sozinhos em casa já que a mãe, Rosalina, viajou para Santa Maria (RS) para ficar um tempo com o filho mais novo. A família demonstra ter um convívio muito próximo. "Temos um canto em casa em que gostamos de ficar e conversar", destacam pai e filha que, como bons alemães, não dispensam uma cerveja gelada em copos típicos.
Apesar da boa convivência, Regiane alega que ainda quer "dar sossego" para os pais. "Eles precisam disso. O que me conforta é que não estou acomodada para sempre. Enquanto meus projetos não acontecem, vou curtindo o convívio familiar." (P.B.O.)

Imagem ilustrativa da imagem Adiando o plano de sair de casa
| Foto: César Augusto
"Enquanto meus projetos não acontecem, vou curtindo o convívio familiar", diz Regiane Freiberger, de 40 anos, com o pai Jaime, de 60, no canto de "confraternização" da casa
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