Com a aprovação do mestre da cirurgia plástica Ivo Pitanguy, Juarez Moraes Avelar mostrou em São Paulo a nova técnica de abdominoplastia sem descolamento e sem ressecção do panículo adiposo (camada subcutânea de tecido adiposo abdominal). ‘‘Ela evita o sangramento e é muito mais segura’’, afirma o médico, que foi um dos percursores da lipoaspiração no Brasil, e autor do primeiro livro médico sobre o assunto.
Ele explica também que esta nova técnica de cirurgia para acabar com a indesejável barriguinha alia cirurgia plástica à lipoaspiração. ‘‘Sozinha, a lipo não resolve problemas de excesso de pele’’, explica.
O método é bem prático. ‘‘Primeiro fazemos a ressecção (corte) da pele que está em excesso e depois fazemos a lipo na camada mais profunda, evitando as lesões vasculares e preservando os vasos linfáticos’’, explica. Porém, ele ressalta que esta cirurgia não é indicada para quem quer emagrecer.
A novidade já foi testada em 80 pacientes, entre homens e mulheres, sendo que o mais novo tinha 38 anos. Este novo tipo de abdominoplastia é indicada nos casos de gordura localizada em pacientes que perderam muito peso e têm pele flácida em excesso.
Região delicada Há 20 anos realizando lipos, Avelar está muito preocupado com a forma que alguns médicos continuam a realizar lipoaspiração e plásticas no abdome, uma região extremamente delicada, cheia de órgãos, onde qualquer descuido pode deixar sequelas. ‘‘Por causa dos tipos de problemas que a lipo pode causar nesta região, comecei a estudar este novo método há dois anos e criei esta técnica, que é muito mais segura; durante os testes nenhum paciente apresentou qualquer tipo de complicação’’, conta.
O procedimento dura por volta de uma hora e a cicatriz é quase imperceptível. ‘‘O pós-operatório é igual ao das outras cirurgias, três meses sem atividade física e seis meses sem tomar sol, e quem já está procurando a nova técnica são os homens’’, diz Juarez Avelar. O médico submeteu sua descoberta para avaliação técnica no começo de outubro, no Hospital do Coração (SP), com a presença do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e do cardiologista Adib Jatene.
Pioneirismo Foi o médico francês Yves Gérard Illouz quem inventou a lipoaspiração em 1977. Dois anos antes, o próprio Juarez Avelar conheceu Illouz num congresso na França sobre cirurgia plástica no nariz e no umbigo. A convite do médico brasileiro, Illouz apresentou a técnica da lipoaspiração no Brasil em um congresso em Fortaleza. Em 1982, Avelar foi aprender a técnica com Illouz na França. No ano seguinte, fez aulas demonstrativas na Escola Paulista de Medicina, no Simpósio de Contorno Corporal. Em 1986, publicou o primeiro livro brasileiro sobre o assunto que tem prefácio de Pitanguy.
‘‘Sigo os princípios deste livro até hoje, que são: a importância de fazer o pinçamento da pele com os dedos da mão esquerda, o que é fundamental para não furar por engano as paredes da musculatura e para ter consciência de onde está a ponta da cânula dentro do corpo do paciente. E a importância também de posicionar corretamente o paciente na mesa de operação’’, ensina.
Segundo ele, o papel da lipoaspiração é corrigir adiposidades localizadas e não para emagrecer, aliás, primeiro o paciente tem de emagrecer para depois se submeter a esse tipo de procedimento. ‘‘É importante mostrar ao paciente onde ficará a cicatriz em seu corpo, mostrando na frente e atrás; e também fotografá-lo’’.
Avelar adianta que está preparando um novo livro, o 11º sobre cirurgia plástica, que traz informações sobre sua nova técnica e também focaliza aspectos de interesse aos médicos de outras especialidades e aos leigos, que buscam informações sobre plásticas de um modo geral, que deverá estar saindo até o final de outubro, intitulado ‘‘Cirurgia Plástica Obrigação de Meio e Não Obrigação de Fim ou Resultado’’’, conta o médico.
Pitanguy acrescenta que a cirurgia plástica no abdome foi muito realizada até 1985, quando correspondia a 65,5% de todas as cirurgias plásticas realizadas no País. Por causa das complicações desencadeadas por ela este número caiu drasticamente. ‘‘Hoje, ela volta a ser procurada e já é possível fazer na mesma cirurgia a abdominoplastia e o lifting de face’’, comenta. Os médicos alertam também que a plástica, como qualquer outro tipo de cirurgia, oferece risco de vida, e deve ser amplamente discutida entre as partes antes de ser feita.

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