Durante 10 anos, o piscicultor César Ishikawa viu seus peixes se transformarem apenas em filés para as mais diversas e saborosas receitas. Mas nem mesmo a mais absurda das histórias de pescador pôde prever o negócio que Ishikawa e as sócias Cinthia Hoshino e Cinthia Yokoo Simioni estão lançando esta semana. Reaproveitando o descarte que até então ia para o lixo, o trio investe agora no couro de peixe para a confecção de acessórios.
A grife Kawa que em japonês tem dois significados: couro e rio foi oficialmente apresentada ontem e aposta no couro da tilápia, peixe abundante nos tanques do pesque-pague da família Ishikawa, para criar bolsas, chapéus, cintos, carteiras e até bijuterias. Incomodado com o desperdício de tanta matéria-prima, há dois anos César começou a pesquisar novas utilidades para a pele, que tão facilmente era descartada após a limpeza dos peixes.
Em Maringá, o piscicultor encontrou o estudo que precisava e resolveu adotar a idéia. Com a ajuda da química Cinthia Simioni descobriu as dosagens específicas para o curtume. Em um trabalho bem artesanal, os três sócios se revezam na retirada das escamas, na adição dos produtos químicos, na prensagem e no tingimento. Cinza por natureza, o couro da tilápia pode ficar azul turquesa, vermelho, preto, bege e mais uma infinidade de tons regularmente testados pelo trio. ''As cores mais escuras são as mais difíceis de fixar'', explica a química. A confecção dos acessórios é terceirizada, mas os sócios já planejam buscar a parceria com um estilista.
Todo o processo de limpeza e curtume dura entre quatro a cinco dias. Retiradas as escamas, o couro de peixe ganha lamelas, os losangos característicos que dão um toque charmoso ao material. ''As lamelas são inimitáveis'', explicam as sócias, que também dão dicas de conservação para o produto final. Segundo elas, na hora da limpeza da bolsa ou qualquer outro acessório, o ideal é usar uma esponja macia.
Algumas peças começaram a ser comercializadas no pesque-pague, ''mas só vamos conhecer a aceitação durante a Expo'', explica Ishikawa, que já reservou um estande no Pavilhão Nacional. Durante os 10 dias da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, o público vai poder conhecer (e comprar) as novidades em couro de tilápia.
''É um trabalho ecologicamente correto já que reutiliza um resíduo que seria descartado. Além disso, nada se perde, porque até as rebarbas do couro depois de prensado são reaproveitadas para fazer bijuterias'', contam os sócios. De acordo com Cinthia Simioni, o couro de peixe é mais resistente que o de boi. E isso não é história de pescador.

Serviço: Kawa 3329-3744

mockup